coluna

Luana Ozemela: Melhorar o acesso ao capital entre empresários negros é um imperativo econômico

Imagem Adriana Fernandes
Colunista
Adriana Fernandes
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Uma briga de cada vez

Pode não ser uma boa estratégia entrar em tanta briga ao mesmo tempo

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2018 | 04h00

Com carta branca até agora do presidente eleito Jair Bolsonaro, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, conseguiu montar o seu próprio “dream team” completamente alinhado às suas ideias e com uma capacidade de entrega que será testada logo nos primeiros meses. Precisa ser rápido na apresentação das medidas para garantir a confiança e o apoio necessários à aprovação das reformas no Congresso. Isso é certo.

Precisa também escolher as brigas a serem compradas sem prejuízo a outras que terão que ser enfrentadas mais à frente. Um erro primário seria querer ganhá-las todas de uma vez, tumultuando o jogo de pressões no Congresso, onde projetos essenciais terão que ser aprovados.

A proposta mais importante a ser encaminhada é reforma da Previdência. O plano de desindexação e desvinculação do Orçamento, confirmado por Guedes esta semana, não pode se sobrepor à proposta de mudança das regras de Previdência que será encaminhada em março, segundo indicações do futuro ministro.

É possível que Guedes, ao confirmar o plano de aperfeiçoamento do teto de gasto para incluir uma cláusula de “desarme” de todo tipo de indexação e vinculações que existe no Orçamento – inclusive salários e despesas de Previdência, saúde e educação –, queira, na prática, mostrar: vamos lá aprovar a reforma da Previdência. Sem ela, o cenário piora rapidamente.

Guedes quer reduzir as vinculações e reduzir indexação para tornar mais fácil cumprir a emenda do teto dos gastos. A questão é que mexer em indexação envolve, em alguns casos, mudança constitucional e interesses setoriais e corporativos muito mais amplos e dispersos. Por exemplo, pela Constituição está garantida a manutenção do valor real de todos os benefícios previdenciários. Mudar a Constituição nesse ponto pode ser uma tarefa até mais difícil do que aprovar a Previdência.

Pode não ser uma boa estratégia entrar em tanta briga ao mesmo tempo. O mercado e os investidores esperam a reforma da Previdência. Se conseguir aprová-la, o futuro ministro abre o caminho para as demais mudanças do seu plano, como a desvinculação.

Não é bom tentar tanta coisa sem antes ter conhecimento do tamanho e da fidelidade da base política. Hoje, o que Guedes tem é um deputado na chefia da Casa Civil (Onyx Lorenzoni) e um general (Carlos Alberto dos Santos Cruz) que farão a coordenação política com o Congresso. Vai funcionar?

Guedes aposta na governabilidade de Bolsonaro em dois eixos. O primeiro é o das frentes temáticas, com as pautas de segurança e de costumes. O segundo eixo de governabilidade é o econômico, fazendo uso do Pacto Federativo para aprovar as reformas numa “construção coletiva”, como ele gosta de se referir. A ideia em jogo é a seguinte: com as reformas, vai ter mais dinheiro para Estados e municípios, inclusive para os comandados pela oposição. Para Guedes, nesse cenário eles estariam propensos a dar apoio.

O desenho da estrutura do novo ministério, resultado da fusão das pastas Fazenda, Planejamento e Indústria, pode ajudar. Para Fernando Schüler, do Insper, o modelo anunciado por Guedes facilita a interlocução dos setores e permite menos dispersão na tomada de decisão, já que há alinhamento nas ideias dos novos secretários. Ele vê, porém, uma zona fracionada ainda na infraestrutura, dividida entre o Ministério da Economia, o Ministério de Infraestrutura e a Presidência .

O ministério da Economia terá ao todo seis secretarias especiais, escolhidas cada uma delas com base nos objetivos ajuste fiscal, produtividade, reforma tributária, Previdência e abertura comercial. Seus titulares serão como vice-ministros. Uma inovação. Por trás dessa decisão está a visão do novo de que é preciso “sincronização” dos movimentos para a implantação do Plano Guedes. O que vale também para os bancos públicos, onde ele quer “porteira fechada” com o mínimo de interferência política.

O primeiro grupo do time de Guedes é formado por profissionais com experiência de gestão no setor privado e um segundo time de funcionários de alto escalão. Serão gestores independentes e “delegáveis”. Guedes ficará livre para pensar economia e formular os planos para o governo sem ter que cuidar do dia a dia de setores como BNDES, indústria, privatização e outras áreas. A conferir se vai dar certo.

*É JORNALISTA DO BROADCAST

Tudo o que sabemos sobre:
economia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.