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Uma cidade, uma família e duas redes de móveis em crise

Romera viu receita cair 10% e Darom pediu recuperação judicial este ano; ambas têm sede em Arapongas, no Paraná

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2015 | 05h00

A família Romera enfrenta um desafio duplo em Arapongas, cidade natal de duas redes regionais de móveis e eletrodomésticos: uma que leva o nome da família e a Darom Móveis. As redes sentem o aperto no bolso do consumidor de diferentes maneiras: a Romera está fechando lojas deficitárias para concentrar sua expansão em polos do agronegócio, enquanto a Darom enfrenta um desafio mais grave. Parte do grupo Simbal, conhecido por fabricar estofados e colchões, a rede está em recuperação judicial.

Esta não é a primeira vez as duas empresas enfrentam um grave revés. Os administradores dos dois negócios morreram em 2008, em um acidente de avião. João e Adriano Romera comandavam, respectivamente, Romera e Darom. Até então, contaram fontes do setor, as duas “alas” da família mantinham bom relacionamento. Após o acidente, a relação azedou. A Romera, que tem quase o triplo da receita da Darom, era uma das principais clientes dos móveis da Simbal – mas, nos últimos anos, a relação comercial foi cortada.

A Simbal entrou em recuperação judicial por causa de uma dívida de R$ 200 milhões. A Darom tem cerca de 90 unidades em quatro Estados (além do Paraná, está presente em Santa Catarina, Mato Groso e Mato Grosso do Sul). O faturamento total do grupo é de aproximadamente R$ 400 milhões. O atual gestor da Simbal, Oscar Milani, não retornou os contatos da reportagem.

Enquanto a Darom negocia com credores, a Romera também tenta se adaptar aos tempos difíceis. A empresa prevê fechar 2015 com queda de 10% no faturamento, que deverá ficar em R$ 1,15 bilhão. Depois da morte de João Romera, a família decidiu profissionalizar a gestão – o executivo Júlio Lara está à frente do negócio. Após acelerada expansão durante o período de bonança no País, Lara agora tenta corrigir erros de percurso. Uma das medidas será fechar as lojas em Manaus (AM), um ponto fora da curva na estratégia da companhia.

Para não acabar engolida pelas redes nacionais, a Romera adotou uma estratégia clara de crescimento, priorizando polos do agronegócio. Foi essa noção que pautou a expansão ao Centro-Oeste, ao interior de São Paulo e, mais recentemente, ao Pará. Mesmo com o fechamento de unidades deficitárias, a Romera terá “abertura líquida” de oito unidades em 2015, para 230 lojas.

Uma das medidas para manter as contas neste ano foi a renegociação de prazos com as indústrias, explica o diretor da Móveis Romera. “Antes, conseguia prazos de 55 a 60 dias. Hoje, já chega a 85 dias.”

Mas o trabalho não para por aí. Depois de cortar as compras da Simbal, a Romera deve agora concorrer com ela na área industrial. Para reduzir custos em estofados e colchões, a rede pretende abrir pequenas fábricas desses produtos – a primeira delas, em Arapongas, está quase pronta.

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