Uma consultoria que ganha na maré baixa

Conhecida por administrar negócios em dificuldades, como o Lehman Brothers e a OGX, Alvarez & Marsal dobrou de tamanho no País em 2013

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2014 | 02h04

A consultoria Alvarez & Marsal, que tem mais de 30 anos de mercado e ficou conhecida ao assumir a administração do banco Lehman Brothers após a falência da instituição, dobrou o tamanho de seu escritório brasileiro no ano passado, que hoje tem 70 profissionais (no mundo, a empresa tem 2,5 mil funcionários e fatura cerca de US$ 1 bilhão ao ano). Como a consultoria é conhecida por salvar negócios em má situação, isso pode ser visto como um sinal de que a atual condição das empresas brasileiras não é das melhores.

A perspectiva de conquistar novos contratos no Brasil para reestruturação de empresas locais é tão grande que Bryan Marsal, um dos fundadores da Alvarez & Marsal e ex-presidente do Lehman Brothers, visitou na semana passada o escritório brasileiro pela primeira vez desde que ele foi aberto, em 2004. Embora Marsal não creia em uma "tempestade perfeita" na economia brasileira, ele acredita que o País está vivendo um ciclo de baixa - justamente o momento em que os negócios da consultoria são mais acionados. Em 2014, a Alvarez & Marsal pretende reforçar a equipe local com mais 30 consultores.

'Estado terminal'. Segundo ele, ao contrário do que ocorria no passado, o time brasileiro está captando contratos de empresas com desafios, mas longe do "estado terminal". Por enquanto, a Alvarez & Marsal ainda é mais conhecida no País por assumir temporariamente, no fim de 2013, a gestão da petroleira OGX (hoje Óleo e Gás Participações) e participar da reestruturação de uma quase moribunda Parmalat. Com os novos contratos, a empresa se aproxima da função que cumpre no exterior, onde atende tanto processos falimentares, como o do Lehman Brothers, quanto o redirecionamento de empresas financeiramente saudáveis, como a Levi's.

Segundo Marcelo Santos, diretor-geral da Alvarez & Marsal no País, as empresas já perceberam que o crescimento não será retomado nos próximos dois anos. Agora, as empresas locais estão buscando ajuda para se adaptar à nova realidade. "Houve crescimento dos custos de matéria-prima e também o peso do dólar e da inflação. Há um desafio do repasse desses custos para os preços", diz Santos. "Esses empreendedores estão sendo proativos, buscando assessoria para arrumar a casa."

Para Marsal, a decisão de buscar ajuda antes que os problemas se acumulem remete ao caso da Levi's. "Quando entramos na Levi's, a situação financeira da empresa era forte. Mas eles precisavam decidir o que fazer com a marca, que estava envelhecendo", explica. "Aí nós identificamos oportunidades de redução de estoques, de funcionário e também de fábricas."

A qualidade da liderança, na visão de Marsal, é fundamental para o sucesso de uma empresa. Para ele, os presidentes de empresas precisam se reinventar a cada cinco anos. "É difícil que os executivos consigam ver, quando estão no topo, que este é o momento em que a decadência começa", diz Marsal, referindo-se a empresas como IBM e Microsoft, que já dominaram o mundo da tecnologia e hoje são coadjuvantes neste mercado. Ele diz que a Apple já dá sinais de decadência, pois parou de se reinventar. E questiona a longevidade de outros gigantes da web, como Twitter e Facebook.

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