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Uma crise de bancos que cresceram demais

A Irlanda se tornou ótimo exemplo de um novo fenômeno: sistemas bancários que, em nível nacional, são grandes demais para serem salvos

Howard Schneider, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2010 | 00h00

O colapso econômico da Irlanda está redefinindo as regras em se tratando de como reguladores e investidores avaliam a saúde de economias e sistemas bancários e, ao mesmo tempo, aumentando o risco de os problemas enfrentados pela Europa serem mais profundos e duradouros que o esperado.

Por trás dessa mudança está o crescente reconhecimento de que as obrigações dos maiores bancos de um país se tornaram, na verdade, obrigações do próprio país - em especial na Europa, onde os países costumam ter sistemas bancários em que um pequeno número de empresas conectadas no nível internacional são donas de passivos que excedem em muito as proporções da economia nacional que os hospeda.

Os riscos foram duramente sentidos na Irlanda, onde a agressividade do investimento e dos empréstimos por parte de um punhado de empresas obrigou o governo a optar entre permitir o colapso do sistema financeiro durante a crise de 2008 ou emitir uma garantia abrangente ancorada no Estado irlandês.

Prevaleceu a segunda alternativa, mas a conta das despesas com bancos falidos e empréstimos inadimplentes se tornou tão cara que o país teve de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à União Europeia (UE).

A Irlanda se tornou ótimo exemplo de um novo fenômeno: sistemas bancários que, ao nível nacional, são "grandes demais para serem salvos". Ocorreu o mesmo na Islândia.

A dívida de um país e a dívida de seus bancos "se tornaram sinônimos", escreveram analistas da Barclays Capital em relatório publicado em novembro.

"Já passamos por crises bancárias e por crises de endividamento soberano. O que temos agora é uma fusão dessas duas coisas", disse Hung Tran, vice-diretor administrativo do Instituto de Finanças Internacionais.

O que se pede agora é que a Alemanha e os demais países poderosos apoiem não apenas os governos da Europa, mas também os seus bancos - um conjunto de passivos e obrigações muito maior e mais arriscado, levando-se em consideração o fato de alguns países ainda estarem fechando bancos falidos e avaliando as condições de outras instituições.

Num estudo recente, o Barclays estimou que bancos na Espanha e na Holanda representavam um alto risco para seus governos, enquanto grandes economias como a britânica e também economias menores, mas importantes, como a da Áustria e a da Bélgica, representavam riscos menores, mas ainda substanciais, decorrentes das dívidas acumuladas por seus bancos.

Esta semana, líderes europeus concordaram em estabelecer um fundo permanente contra as crises com o objetivo de ajudar governos em dificuldades, um importante reconhecimento de sua responsabilidade partilhada, principalmente entre os países que usam o euro. Mas o trabalho braçal - como será o funcionamento do fundo, quem pagará pelas suas operações, e quais serão as condições necessárias para o seu acionamento - ainda precisa ser feito.

Enquanto isso, os mercados têm feito algumas operações simples de aritmética em relação aos trilhões de dólares que governos e bancos terão de arrecadar na Europa e nos EUA para financiar suas operações no ano que vem - e estão percebendo que há mais problemas pela frente.

Na Espanha, por exemplo, grandes bancos, como o Santander, são considerados saudáveis individualmente, e o governo foi elogiado por implementar duros cortes no orçamento e reformas para tentar controlar seu endividamento público. Mas, tomados em conjunto, os bancos e o governo precisarão de mais de US$ 100 bilhões nos primeiros meses do ano. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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