Uma economia sólida depende de taxas de juros mais baixas

Por que o governo tem medo de baixar a taxa da caderneta de poupança e mostrar que isso não é uma coisa ruim para o cidadão?

, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

O governo, para atingir seus objetivos, tem de lidar com o campo político. Assim, muitas vezes, decisões técnicas recomendadas não são tomadas por falta de apoio político. O caso da remuneração da caderneta de poupança é um exemplo. Com a queda da taxa básica de juros (Selic), todas as outras taxas caíram também. Ocorre que a caderneta tem risco muito baixo, não há incidência de Imposto de Renda e sua remuneração é fixada em lei, com rendimento de 0,5% ao mês (equivalente a 6,17% ao ano) mais a variação da Taxa Referencial (TR). Assim, quando comparamos essa remuneração com outras, como, por exemplo, os fundos de renda fixa, muitas vezes o resultado líquido dessa aplicação acaba sendo inferior ao da poupança. Em resumo, caso essa situação perdure, os investidores poderiam migrar suas aplicações para a caderneta, criando um problema estrutural no mercado. Foi por isso que o governo ameaçou alterar a regra e passar a cobrar IR da poupança. Em outros termos, o governo, em vez de realizar mudanças estruturais na poupança, resolveu jogar o Leão em cena. Se quisermos realmente ter uma economia sólida, deveremos conviver com taxas de juros mais baixas, permitindo que haja mais investimentos que gerem empregos, aumento de renda que estimule o consumo e assim por diante.

O que vale mais a pena: investir em um fundo mútuo ou na caderneta de poupança?

Em 2009, a poupança rendeu 7,1%. Como os fundos de renda fixa tiveram queda nas taxas e pagam Imposto de Renda, dependendo da taxa de administração do fundo, quando o investidor foi fazer a conta de qual foi o rendimento líquido de sua aplicação, teve uma surpresa, pois ficou abaixo do rendimento da poupança. De maneira geral, os investidores em fundos de renda fixa com taxa de administração acima de 1,5% viram que teria sido melhor opção a caderneta de poupança.

De que forma a retaliação do Brasil aos produtos dos Estados Unidos contribuirá com o mercado interno, uma vez que o mercado americano é um dos maiores clientes potenciais de produtos brasileiros?

Não se sabe ainda quais serão as consequências da suspensão de direitos de propriedade intelectual, algo inédito no mundo. A retaliação deverá ser aplicada a partir de 7 de abril e devemos esperar para ver porque muita água deverá rolar ainda.

Para quem está começando a investir, a caderneta de poupança é a melhor opção?

Você já está dando um passo importante na sua vida e na conquista de seus objetivos ao começar a investir. Quando vamos investir, nossa primeira preocupação deve ser em relação ao tempo que temos à disposição para aquele investimento e a importância que aquele valor representa em nossas vidas. A caderneta de poupança é um dos tipos de investimento altamente recomendados para quem queira correr baixo risco e pode precisar do dinheiro a qualquer momento. Pense se esse é seu caso. A caderneta de poupança, sem dúvida, é uma boa opção. Mas há outras muito interessantes, caso você tenha a vontade de deixar o dinheiro depositado por um prazo longo. Há, por exemplo, o Tesouro Direto (www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto), no qual você pode comprar títulos públicos diretamente do governo. O importante, mesmo, é você começar a investir e se dedicar a conhecer mais sobre investimentos para sempre poder fazer a melhor opção em seu caso particular.

Tenho 70 anos e vivo com aposentadoria (do INSS e de um fundo de pensão privado) sem problemas. Além disso, tenho aplicação em um fundo de renda fixa / DI há mais de 4 anos. Minha intenção é usar o dinheiro só em uma eventual necessidade. O banco onde tenho mantida essa aplicação me ofereceu uma alternativa: trocar uma parte ou grande parte de aplicação no fundo de investimento por um plano VGBL ou PGBL. Minha dúvida: trocar a aplicação é a melhor opção?

A alternativa oferecida pelo banco é interessante porque os planos de previdência dos tipos PGBL e VGBL são produtos securitários e, portanto, podendo haver a indicação de beneficiários. No caso de falecimento do participante, o valor do beneficio vai direto pra os beneficiários, sem necessidade de entrar no inventário. Mas, mesmo que essa seja a sua intenção, é bom conhecer muito bem os detalhes do plano em particular que lhe está sendo oferecido. Verifique se a carteira do plano, também, é em renda fixa e qual o seu grau de risco, períodos de carência, quais são as taxas de administração e de carregamento, entre outros detalhes, pois dependendo do resultado encontrado, pode ser não ocorra a vantagem prevista.

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (EAESP/FGV) E DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO (PUC-SP). GRADUADO EM ENGENHARIA E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, ALÉM DE TER DOUTORADO EM FINANÇAS PELA FGV, GALLO JÁ ESCREVEU VÁRIOS LIVROS, NOS QUAIS ABORDOU TEMAS COMO INVESTIMENTOS, APOSENTADORIA, ORÇAMENTO FAMILIAR E EDUCAÇÃO.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.