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Uma gigante em busca de crescimento

A GE leva seus principais executivos para lugares como América Latina e Ásia, na tentativa de acelerar as decisões

Melina Costa, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

ENTREVISTA

Reinaldo Garcia, presidente da GE para a América Latina

Com uma receita superior a US$ 150 bilhões, a GE está entre as vinte maiores empresas do mundo. É lógico esperar, de uma companhia que atinge essa escala, taxas de crescimento, no máximo, modestas. Pois é exatamente esse fim que a GE pretende evitar.

No início do ano, a empresa fez uma reestruturação global de modo a descentralizar o comando e levar os principais executivos do centro para a periferia. A intenção é dar mais autonomia às operações internacionais - de onde vem, hoje, a maior parte do crescimento.

Os primeiros resultados dessa política já começaram a aparecer. Na última sexta-feira, a GE divulgou os resultados financeiros do segundo trimestre e o destaque foi da América Latina. No Brasil, mais especificamente, as vendas cresceram quase 40% e os pedidos - um sinal do ritmo em que a receita pode crescer no futuro - subiram 72%.

A seguir, os principais trechos da entrevista de Reinaldo Garcia, presidente da GE para a América Latina.

Qual o desempenho da GE na América Latina?

Vínhamos crescendo muito na América Latina, mas nesse ano é diferente. Aumentamos as vendas em 46% no segundo trimestre. E os pedidos - que já assinamos mas ainda não foram entregues - cresceram 88%. Trata-se do maior volume de pedidos no mundo nesse período: ao todo, US$ 2,4 bilhões. Dá para sorrir com esses números. O crescimento foi em todas as linhas de produtos e todos os países, mas o Brasil é o que tem maior participação.

O que a GE está fazendo para crescer nos países emergentes?

Antes, chamávamos de países emergentes, mas agora eles já emergiram. Nossa classificação é entre países de crescimento rápido e de crescimento mais lento. No primeiro grupo estão a América Latina, Rússia, Austrália, Canadá, Oriente Médio, norte da África, Índia e China. São regiões com demanda para melhora e criação de infraestrutura. No Brasil, por exemplo, falta infraestrutura adequada para o crescimento que vemos hoje. Já no Canadá, há um grande desenvolvimento voltado para a exploração de recursos naturais. Na Índia e na China, o motor é a grande população. Nos reorganizamos exatamente para dar mais ênfase a essas regiões. Trouxemos um centro de pesquisa para o Rio de Janeiro e já contratamos 800 pessoas na América Latina desde o início do ano. Até dezembro, devem ser preenchidas mais 700 vagas. A ideia é dar mais poder para essas regiões. Antes, as decisões eram centralizadas.

Como era a organização antes e o que, exatamente, mudou?

As pesquisas de marketing e o desenvolvimento de projetos, por exemplo, eram centrais. Antes, as transações complicadas, de centenas de milhões de dólares, tinham de passar pela área comercial dos Estados Unidos ou da Europa. Isso diminuía a velocidade de negociação. Agora, há vários cargos novos aqui e a equipe da América Latina passou a ter mais capacidade de decisão. Já começamos a acelerar o crescimento com essa maior autonomia. Em dezembro, havia 20 executivos sênior (entre diretores, vice-presidentes e presidentes) na região. Hoje, são 36 pessoas. Isso é uma grande diferença.

O mesmo aconteceu em outras regiões?

Há uma realocação dos líderes. Hoje, o vice-presidente do conselho da GE está em Hong Kong. Antes, estava em Atlanta (EUA). Há também um executivo sênior no Quênia. Nunca houve um executivo desse nível na África. Ele foi de Nova York para Nairóbi. Eu estava sediado em Paris e vim para o Brasil depois de 30 anos fora, um colega foi para a China, outro para a Índia... E onde está um líder, forma-se um time de outros líderes ao redor. Assim, cria-se um núcleo de experiência local.

Como a GE espera que essas mudanças afetem a origem da receita da corporação?

Isso já vem mudando. Hoje, 60% do faturamento da GE vêm de fora dos Estados Unidos. Uma década atrás, era perto de 40%. Em 2005, a receita da América Latina era 8,6% do total da GE internacional (excluindo os EUA). Agora, no segundo trimestre, essa participação saltou para 11,4%. Espero um ritmo de crescimento de cerca de 30% da América Latina nos próximos cinco anos.

Mas por que a empresa decidiu fazer essas mudanças na gestão só agora? Afinal, já se fala dos BRICs há muito tempo.

Não começamos agora. A GE está há 115 anos na América Latina e há 90 no Brasil. A diferença é que agora existe um deslocamento da autoridade. Foi um aperfeiçoamento, uma evolução.

Quais são as áreas de crescimento da GE na América Latina?

Principalmente em aviação, petróleo e gás e geração de energia. Mas também estamos na área de saúde, locomotivas e em lâmpadas, área em que a GE atua há mais de cem anos.

QUEM É

CV: Reinaldo Garcia é formado em Direito pela Universidade de São Paulo e em Economia pela Universidade da Carolina do Norte. Começou sua carreira na GE Lighting e atuou em diversas unidades de negócios da corporação nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Em 2006, foi nomeado presidente da GE Healthcare International, cargo que ocupou até janeiro de 2011, quando assumiu o comando da América Latina.

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