Dida Sampaio/Estadão
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Uma luta de todos

A trajetória da mulher brasileira é extraordinária, mas nunca foi um percurso fácil e segue extremamente desafiador

Luiz Carlos Trabuco Capp, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2021 | 05h00

Desde o documento Who cares wins (Quem se importa vence), elaborado pelo Banco Mundial para o Pacto Global da ONU, a sigla ESG (Environmental, Social e Governance) está no centro dos debates do mundo empresarial.

Os compromissos genuínos com responsabilidade ambiental, social e de governança tornaram-se fundamentais nas decisões de investimento de gestores globais e das grandes empresas.

Não seria exagero acreditar que os valores ESG são agora parte de uma nova métrica de risco, pois são robustos e podem ser o vetor de transformação do mundo.

Destaca-se, entre eles, a presença da mulher em todos os campos de atividade, ou seja, no trabalho, na política, na ciência, no esporte, em todas as direções. É um direito que não veio sem luta. Foram espaços conquistados na busca de respeito, liberdade, igualdade de direitos e acessibilidade.

A trajetória da mulher brasileira é extraordinária, mas nunca foi um percurso fácil e segue extremamente desafiador. São evidentes os avanços, no entanto ainda é preciso que reflita um estado de plena equidade, principalmente nos espaços profissionais.

A emancipação da mulher foi, e continua a ser, escrita com suor e lágrimas. As múltiplas dimensões do universo feminino explicam o êxito em campos tão distintos. Esse padrão conferiu a elas capacidade de organização, disciplina, noção de tempo, criatividade e combatividade.

O Fórum Econômico Mundial (WEF) pesquisa desde 2006 a relação de homens e mulheres na economia, na política, na educação e na saúde. A análise do WEF constatou o forte impacto da pandemia na população feminina, principalmente porque elas formam a maioria da força de trabalho nos setores mais afetados, como turismo, cuidados pessoais e educação.

As mulheres apresentam maior escolaridade em relação aos homens; seus salários, porém, são menores. No Brasil, segundo o IBGE, a média salarial dos homens é 28% superior à das mulheres. Os homens ocupam 62,6% dos cargos gerenciais nas empresas. As mulheres, 37,4%.

O assédio sexista no ambiente de trabalho continua dramático em todo o mundo. Segundo a OIT, nada menos do que 52% das trabalhadoras já foram vítimas de algum tipo de ameaça sexual ou moral. 

E, apesar da melhor preparação, muitas vezes a mulher sofre daquilo que os especialistas chamam de síndrome da impostora. Pesquisa global da HP apontou que a maioria das mulheres subestima sua capacidade ao se qualificar para uma vaga, o que pode ser explicado por séculos de discriminação. 

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) dedicou à questão da mulher no mercado de trabalho seu mais recente congresso, em setembro. Trata-se de uma evidência de como a mulher pode ter mais conexão na carreira. Participei na mentoria do evento, e são definitivos a qualidade e o talento das mulheres participantes.

Neste momento, o IBGC faz circular a sua Carta ao Mercado, na qual convida os empresários a refletir sobre os ganhos que as companhias podem obter com mulheres em seus conselhos.

Há muito a se fazer, e é imprescindível mais engajamento das empresas. Além de direito moral, a participação incisiva da mulher em todos os níveis de gestão conecta as empresas com fatores de inovação.

Ahistória da evolução da humanidade contempla avanços de conhecimento sempre que se orienta pelo pluralismo de ideias, gênero e etnias. O ESG eleva esse conceito a outro patamar, ao trazer um novo modelo de risco a empresas e investidores globais.

É uma jornada sem volta, pois, quando as instituições harmonizam interesses individuais e coletivos, garante-se previsibilidade sobre o futuro, além de legados para as futuras gerações.

*Neste Outubro Rosa, data afirmativa que desperta atenção e mobilização em todo o mundo, esperamos que cada vez mais pessoas participem do trabalho de conscientização sobre a importância da prevenção do câncer de mama, e que as mulheres tenham amplo acesso a diagnóstico e tratamento.

PRESIDENTE DO CONSELHO DE 

ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO

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