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Uma melhora global em 2020

Essa recuperação econômica esperada é graças ao estímulo monetário de bancos centrais

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2019 | 04h00

O cenário externo foi particularmente adverso aos mercados emergentes em 2019: uma desaceleração sincronizada da economia global combinada com maior turbulência geopolítica refletindo, entre outros fatores, a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a ameaça de um Brexit duro, ou seja, uma saída desorganizada do Reino Unido da União Europeia.

Para 2020, espera-se um cenário externo bem mais favorável aos países emergentes, especialmente em termos do desempenho da economia global. Analistas internacionais acreditam que o fundo do poço da desaceleração da atividade econômica mundial deve ser neste quarto trimestre de 2019 ou, na pior hipótese, no primeiro trimestre do ano que vem.

A partir daí, espera-se que algumas regiões do mundo comecem a engatar uma recuperação econômica, em particular a zona do euro e a China, embora ainda em ritmo bem gradual. O Citi prevê uma expansão do PIB mundial de 2,6% neste ano e de 2,7% em 2020. O Barclays estima o crescimento global acelerando de 3,1% neste ano para 3,3% no ano que vem.

Essa recuperação econômica esperada é graças, em grande parte, ao estímulo monetário praticamente sincronizado de 23 bancos centrais. O Federal Reserve (Fed) cortou três vezes os juros americanos em 2019 e sinalizou que vai manter as taxas inalteradas ao longo do ano que vem. O BCE cortou os juros, aprofundando as taxas em território negativo, e também deve ficar parado em 2020. Já muitos bancos centrais de países emergentes devem seguir reduzindo os juros no ano que vem.

Em relação aos Estados Unidos, o principal temor até há pouco tempo era de uma recessão iminente. Os indicadores mais recentes de atividade econômica, especialmente do mercado de trabalho, afastaram esse temor, embora a expectativa ainda seja de uma perda de fôlego importante da maior economia do planeta. O banco JP Morgan, por exemplo, estima que o crescimento do PIB americano passe de 2,3% neste ano para 1,7% em 2020.

Para a China, a maioria dos analistas prevê que o crescimento do PIB passe de estimados 6,1% neste ano para 5,9% em 2020, já embutindo nessa projeção a “fase 1” do acordo comercial com os EUA. Os detalhes da “fase 1”, que ainda espera a assinatura dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, foram divulgados na semana passada.

Os mercados globais chegaram a comemorar o anúncio da “fase 1”, que inclui a redução de 15% para 7,5% da sobretaxa imposta em setembro pelos americanos sobre US$ 110 bilhões de produtos chineses e o adiamento da entrada em vigor de tarifas sobre outros US$ 156 bilhões que estava prevista para dia 15 deste mês. Do lado chinês, o acordo prevê a compra de US$ 50 bilhões em produtos agrícolas americanos. Desde então, os analistas ficaram céticos sobre se americanos e chineses vão levar adiante essa trégua da disputa comercial e se novas fases para um acordo mais definitivo vão avançar no ano que vem.

“À medida que as eleições presidenciais americanas se aproximam, o tema comercial deve provavelmente ficar mais complicado do que já está até agora”, diz o estrategista-chefe de câmbio do banco Commerzbank, Ulrich Leuchtmann.

A eleição presidencial dos EUA está marcada para novembro do ano que vem. Trump tentará a reeleição como o candidato republicano. Do lado democrata, a disputa está acirrada e muitos investidores temem que o escolhido para concorrer com Trump seja um candidato mais à esquerda.

“Três grandes questões políticas devem moldar os movimentos dos mercados em 2020: a guerra comercial, a eleição presidencial dos Estados Unidos e o Brexit”, diz o economista-chefe da consultoria Capital Economics, Neil Shearing.

Depois da vitória esmagadora dos conservadores nas eleições do Reino Unido, acredita-se que o primeiro-ministro Boris Johnson conseguirá finalmente aprovar sua proposta de separação dos britânicos do bloco europeu. Mas restam dúvidas se isso será possível ou se ainda um consenso político para um Brexit negociado esteja distante.

Mas a preocupação maior dos analistas é mesmo quanto à guerra comercial entre China e EUA. Espera-se que o foco das negociações passe da retirada ou diminuição de tarifas para questões como controle de tecnologia e propriedade intelectual, temas com pouco impacto direto sobre a economia. Avanços nessas negociações, todavia, devem melhorar a confiança de investidores, empresários e consumidores. E, por tabela, o crescimento global. 

* COLUNISTA DO BROADCAST

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