Uma nova 'política ativa' na região amazônica?

Em seminário realizado em São Paulo, o presidente do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, informou que os desembolsos do banco destinados à Amazônia cresceram oito vezes entre 2005 e 2013, chegando a R$ 24,5 bilhões.

O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2014 | 02h06

Segundo ele, isso é parte "de uma política ativa" de redução das desigualdades regionais, presumivelmente, desigualdades de desenvolvimento entre a região amazônica e outras regiões brasileiras, particularmente o Sul.

Políticas ativas de redução de desigualdades regionais não são novidades no Brasil. Têm sido postas em prática por sucessivos governos federais desde a década de 1940, com maior ou menor ênfase, conforme os tempos. A construção da Hidrelétrica de Paulo Afonso, no Rio São Francisco, ainda no governo Dutra, pode ser lembrada como um dos lances de tais políticas.

Diante do reforço que lhes deram os governos do PT - como é exemplo a transposição do Rio São Francisco - é de indagar qual grau de sucesso que se identifica nessas políticas, ante a sua longa história e dada a escassez de notícias sobre redução efetiva de desigualdades regionais, particularmente entre as Regiões Norte/Nordeste e Sul/Sudeste. A história da Suframa e da Sudene nos diz que tais políticas têm servido para que governos e governantes contemplados se mantenham subservientes ao chefe do governo federal, mais do que para criar nessas regiões condições de promover seu próprio desenvolvimento.

De qualquer forma, registre-se o esforço do BNDES para aumentar significativamente a oferta de créditos na região amazônica, principalmente por meio do Cartão BNDES que torna os financiamentos mais acessíveis e ágeis para pequenas e médias empresas inovadoras. É importante que "neste segundo momento" se capitalizem as empresas locais, não apenas que para ali acorram empresas já capitalizadas, "como aconteceu no período anterior" da Zona Franca, diz seu atual superintendente, Thomaz Afonso Queiroz Nogueira.

O problema, porém, agora, como no passado, é evitar perda de investimentos, ou seja, fracassos empresariais. O BNDES bancou 112 mil operações na região, no ano passado, o que marcou "uma ruptura no padrão de desembolsos do banco", segundo Luciano Coutinho.

Esperemos que tenha sido uma ruptura no que se refere à quantidade, não ao padrão de qualidade dos créditos aprovados pelo BNDES.

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