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Uma nova tecnologia para reunião à distância

Para reduzir viagens, empresas investem em salas de telepresença

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

A telepresença dá a sensação, para pessoas que podem estar a milhares de quilômetros de distância, de que estão frente a frente, na mesma sala. É um sistema que combina tecnologia da informação e cenografia: uma conexão de internet de alta capacidade liga duas salas que têm iluminação, paredes, carpetes e móveis iguais. As pessoas veem seus interlocutores em telas grandes de alta definição, em tamanho real. O sistema de som Dolby 5.1 faz com que o som venha da direção correta, reforçando a impressão de que todo mundo está no mesmo lugar."Já vi gente se levantar para apertar a mão de quem está do outro lado", afirmou Alexandre Patarra, gerente comercial da Dimension Data, empresa que fornece sistemas de telepresença. A primeira sala do País foi da Procter & Gamble, em abril de 2008. Desde o ano passado, a Dimension Data forneceu cinco salas no País e participou de outros dois projetos. O custo está entre US$ 50 mil e US$ 300 mil. "As salas podem ser para um único usuário, com um monitor de 32 polegadas, até 18 pessoas, com três telas de 65 polegadas", explicou Patarra. Um sistema de telepresença pode conectar até quatro salas simultaneamente, intercalando as imagens de cada sala.A telepresença é uma evolução da videoconferência. A videoconferência convencional oferece qualidade mais baixa de áudio e vídeo e é mais sujeita a atrasos de transmissão. A videoconferência convencional também não tem preocupações cenográficas.PRODUTIVIDADEAs empresas têm adquirido sistemas de telepresença para reduzir a necessidade de viagens de seus funcionários. Existe redução de custos por dois lados: os gastos com hotéis e passagens de avião e o próprio tempo dos executivos, que muitas vezes é mais caro do que a viagem em si."Ao comprar o sistema de telepresença, a Procter & Gamble buscou melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores, reduzindo significativamente o número de viagens", disse Luiz Alves, gerente de Infraestrutura e Administração Predial da empresa para a América Latina. "Uma das metas foi a de que a tecnologia permita aumentar a produtividade dos funcionários, tornando a tomada de decisão mais ágil, além de otimizar a comunicação interna e externa, com parceiros e clientes."O índice de utilização da sala da Procter & Gamble em São Paulo, que tem três monitores de 65 polegadas, está em 52%. O objetivo da empresa é chegar a 60%. "O sistema e o design do projeto permitem uma percepção de uma reunião praticamente presencial, para assuntos que envolvam urgência e agilidade", afirmou Alves.Outra vantagem da telepresença é permitir aos funcionários que normalmente não fariam viagens internacionais de trabalho, e só iriam interagir com colegas em outras unidades por telefone e correio eletrônico, participar de reuniões com pessoas de várias partes do mundo.CAPACIDADECada tela de alta definição exige uma conexão mínima de 5 megabits por segundo (Mbps). Há poucos anos, isso seria considerado uma capacidade grande de rede, pelo menos no Brasil, mas hoje já é um recurso disponível até em conexões domésticas de banda larga.A Mirae Asset, administradora coreana de recursos, mandou instalar salas de telepresença em seus escritórios de São Paulo, Nova York , Londres, Mumbai, Hong Kong e Seul. Ela também contratou uma nova rede de dados, para suportar esse serviço. Em São Paulo, a sala foi dimensionada para duas pessoas."O projeto surgiu quando resolvemos trocar as câmeras de videoconferência, passando da definição padrão para a alta definição", explicou Wagner Malerba Jr., gerente de Tecnologia da Informação da Mirae Asset. "A telepresença é uma evolução natural da videoconferência, mas é muito mais conceitual. A criação das salas como um ambiente único é o que diferencia."

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