Uma nova trajetória, mas ainda longe de ser vigorosa

Há uma boa notícia: a indústria brasileira voltou a trilhar o caminho do crescimento. De fato, após aumentar 0,8% em março, a produção industrial avançou 1,8% em abril. E mais: todos os grandes setores da indústria apresentaram expansão da produção no mês que inicia o segundo trimestre deste ano, com destaque para bens de capital (3,2%) e bens duráveis (1,1%) - taxas calculadas em relação ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal.

ANÁLISE: Rogério César de Souza, ECONOMISTA DO IEDI, ANÁLISE: Rogério César de Souza, ECONOMISTA DO IEDI, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2013 | 02h04

No entanto, alguns cuidados devem ser tomados na análise desses resultados. Em primeiro lugar, os índices de abril estão refletindo, em boa medida, a retomada da produção de bens de capital para transporte (caminhões) e, ainda, os incentivos fiscais para a produção de bens duráveis (veículos automotores). São fatores pontuais que não se repetirão na mesma intensidade.

Em segundo lugar, ao se comparar abril deste ano com o mesmo mês do ano passado, o expressivo aumento de 8,4% ocorreu, em parte, pela baixa base de comparação (a produção estava bastante reprimida no ano passado) e pelo maior número de dias úteis (dois dias a mais) em abril deste ano. Isso vale para o conjunto dos setores e ramos da indústria, para muitos dos quais a produção apresentou taxas de variação espetaculares (23,9% no ramo de veículos automotores; 18,1% no segmento de máquinas e equipamentos; e 11,7% no ramo de refino de petróleo e produção de álcool, entre outros).

Ou seja, os números de abril deste ano estão "inflados" por fatores pontuais, bem como refletem diferenças de calendário e de níveis anteriores muito tímidos da atividade da indústria. Além disso, vale observar que o movimento positivo da produção industrial em abril ainda não é generalizado: em 10 dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE, a produção recuou ou ficou estagnada.

É mais provável que a indústria brasileira esteja crescendo a uma taxa mais modesta, menos intensa que a de abril e mesmo que a de março deste ano. A produção industrial deve estar evoluindo mais próxima ao crescimento do setor de bens intermediários, cuja produção subiu 0,5% e 0,4%, nessa ordem, em março e abril deste ano.

Isso porque, além de ter o maior peso, esse segmento pode ser tomado como o termômetro da indústria, já que seu desempenho reflete as compras no interior do próprio setor. Nesse novo caminhar, a produção da indústria brasileira fechará 2013 com alta de 2,5%, um indicador positivo, mas longe de ser vigoroso.

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