Uma nova visão para retomar a competitividade

Desvalorização do real ante o dólar nas últimas semanas pode ajudar a elevar a competitividade da indústria brasileira

O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2018 | 05h00

A desvalorização do real ante o dólar nas últimas semanas pode ajudar a elevar a competitividade da indústria brasileira, se a volatilidade do câmbio puder ser controlada. Este é um dos pontos focais do estudo Indicadores de Competitividade-Custo, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base numa comparação com dez países.

A análise evidencia a estreita correlação da evolução do custo unitário do trabalho efetivo (CUT efetivo), medido em dólares, e a competitividade. No ano passado, esse custo subiu, em média, 5,4% no Brasil para produzir manufaturados, taxa superior à dos principais parceiros comerciais do País. Para 2018, diz o estudo, “a expectativa é de que a competitividade (do produto nacional) volte a crescer, ou seja, que o CUT efetivo volte a cair”. Tanto a produtividade do trabalho vem crescendo como a taxa de câmbio reverteu a tendência de apreciação, o que contribui positivamente para a competitividade do País.

Naturalmente, é de grande importância também a evolução do salário médio na indústria, que, embora sujeito a menores pressões em face do desemprego, pode ser mais elevado, em dólar, do que em países competidores, lembrando que entre eles estão muitos países emergentes que também desvalorizaram sensivelmente sua moeda.

Em 2017, apesar do baixíssimo crescimento da indústria, o salário médio real efetivo no setor subiu 2,7% em dólar, o que foi mais do que ocorreu em outros parceiros comerciais do País. Não obstante, a produtividade do trabalho na indústria brasileira aumentou 2,3% em relação à média dos países tomados como base de comparação. No entanto, a competitividade do setor industrial brasileiro foi afetada negativamente pela valorização de 5% do real.

Não se deve, porém, concluir daí que a depreciação do real, como se vem verificando, seja a solução para os problemas concorrenciais.

Tudo depende fundamentalmente das condições de estabilidade. Como afirma Renato da Fonseca, diretor de pesquisa da CNI, a análise da evolução do CUT efetivo médio mostra que a competitividade depende não só do aumento da produtividade das empresas, mas também do equilíbrio fiscal do País. Só a estabilidade do ambiente macroeconômico é capaz de gerar confiança e reduzir a volatilidade do câmbio.

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