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Uma obra de US$ 8,5 bi ainda sem dono

Com dificuldade para conseguir sócios, Petrobrás já gastou R$ 1 bilhão nas obras da petroquímica Comperj

Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

Um dos maiores canteiros de obras do País, espalhado numa área de 45 milhões de metros quadrados, ainda é um empreendimento sem dono. Orçado originalmente em US$ 8,5 bilhões (cerca de R$ 17,6 bilhões, pelo câmbio de sexta-feira), o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) já consumiu R$ 1,08 bilhão em obras de engenharia básica, essencialmente terraplenagem . O investimento está sendo bancado pela Petrobrás, que, com dificuldades para atrair capital nacional para o projeto, busca agora sócios estrangeiros. A estatal admite que a obra ficará mais cara que o previsto no plano inicial, feito em 2006, mas garante que não desistirá do empreendimento. Mantém o esforço para conquistar as duas principais empresas nacionais do setor, Braskem e Quattor. O Grupo Ultra, parceiro de primeira hora, foi também o primeiro a desistir."Vamos fazer esse projeto de qualquer maneira. Ou fazemos uma nova unidade petroquímica ou o Brasil vai ser um enorme importador de resina", afirma o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, revelando a obstinação com a qual vem costurando parcerias. "Estamos negociando com dez empresas americanas, asiáticas e europeias. Vamos fechar acordos com as nacionais, também", diz. O executivo reconhece que a estatal pode até seguir de forma isolada, ou com o BNDES, a primeira fase, chamada de primeira geração, que consumirá dois terços do total do investimento e inclui a refinaria para produção de insumos petroquímicos. Na segunda geração, onde são produzidas matérias-primas plásticas, como polietileno, oxiteno e polipropileno, será indispensável a presença de empresas privadas. "E vou tentar colocá-los a fórceps na primeira geração", brinca Costa.Diariamente, 600 equipamentos são operados em dois turnos, de forma quase ininterrupta, para preparar o terreno onde ficarão a central de refino e as cinco indústrias de segunda geração previstas para seu entorno. A estatal já está abrindo o caminho do anel viário que circundará a obra e preparando a infraestrutura básica, com uma subestação elétrica e antenas de comunicações.Costa assegura que a obra segue dentro do cronograma, independentemente do atraso no fechamento das parcerias, mas indica como prazo para a produção de resinas o segundo semestre de 2013. A programação inicial, no entanto, apontava a "primeira partida" no segundo trimestre de 2011 e a plena operação a partir do primeiro semestre de 2012.O Comperj marca a consolidação da Petrobrás no mercado petroquímico, do qual havia se afastado num lento processo de privatização, iniciado em meados dos anos 1990. Já no primeiro ano do governo Lula, em 2003, a estatal começou a ensaiar a volta, sob a presidência de José Eduardo Dutra. "Todas as grandes empresas de petróleo atuam em petroquímica. A Petrobrás saiu por imposição do governo, mas faz parte do nosso negócio", disse o executivo, na ocasião.O setor petroquímico nacional, que historicamente opera com níveis de utilização de capacidade acima de 80% do parque industrial, desceu para uma margem de pouco mais de 50% em dezembro do ano passado, um baque histórico provocado pela crise mundial. Permaneceu em nível baixo em janeiro e somente iniciou a recuperação em fevereiro, quando os estoques de seus principais clientes - a indústria de produtos plásticos - começaram a rarear. "Voltamos ao padrão histórico, de 95%, mas isso não significa que a crise acabou. O que está ocorrendo hoje é um misto de reestocagem e reaquecimento do mercado. Ainda não sabemos se é um processo que vai se sustentar nos próximos meses", diz Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações com Investidores da Braskem. Sobre a participação no Comperj, ele prefere ser cauteloso. "Cada coisa vem a seu tempo".

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