Uma pausa na sequência de piora

A taxa de desemprego de maio, medida pela Pnad Contínua, manteve o patamar do mês anterior, em 11,2%, surpreendendo analistas. É a primeira vez no ano em que a taxa não apresenta elevação, interrompendo uma sequência de cinco altas iniciada em dezembro de 2015.

Tiago Cabral Barreira*, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2016 | 23h17

Os dados apontam para desaceleração nas demissões, com menor queda da População Ocupada (PO) frente a maio do ano anterior. Alguns setores apresentaram reversão na trajetória de queda de ocupados, registrando crescimento da PO.

Entre elas, a indústria foi o principal destaque, com crescimento de 60 mil na PO ante o mês anterior. A ocupação em serviços prestados às empresas segue em segundo, com alta de 41 mil vagas (+0,42%), enquanto a construção em terceiro, com alta de 34 mil (+0,46%). Os três setores parecem demonstrar sinais de lenta retomada.

Mas ainda é cedo para falarmos de reaquecimento do mercado de trabalho para 2016. O mercado de trabalho tende a reagir lentamente à recuperação de atividade. Um aumento de contratações ocorrerá na medida em que a recuperação das condições financeiras de consumidores e empresários se reverta em aumento na demanda por bens e serviços, levando à reutilização da capacidade ociosa na indústria e comércio.

Um componente importante para a interrupção da piora no emprego foi a estabilização na população ocupada por conta própria, que constitui um importante colchão de amortecimento do emprego, absorvendo trabalhadores demitidos do setor formal.

*É pesquisador do Ibre/FGV

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