coluna

Carolina Bartunek: ESG, o que eu tenho a ver com isso?

Uma reflexão necessária

As democracias perderam a batalha pós-guerra fria, mas não perderam a guerra do século 21

Basilio Jafet*, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 04h00

Os prognósticos para 2020 são bastante positivos, tanto para o setor imobiliário – que deverá manter um bom ritmo de retomada – como para o Brasil, haja vista conquistas como ajuste fiscal, aprovação da reforma da Previdência e da Lei de Liberdade Econômica, redução da taxa de juros e inflação controlada.

É claro que a agenda nacional é bastante complexa, exigindo do governo e do Congresso redobrado empenho. Em pauta, as imprescindíveis reformas tributária e administrativa. Também deverão ser objeto de discussão (e votação) diversas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) referentes a temas como Pacto Federativo, Emergência Fiscal, mudança do Imposto de Renda, privatizações, reavaliação dos fundos públicos e outras importantes matérias que repercutem na vida de cada um de nós.

E como estamos nós diante deste processo, cujo lastro principal responde pelo nome de democracia?

A história do Brasil e de países que lutaram pelo regime democrático e pelo livre mercado vem revelando sinais que merecem ser devidamente analisados, haja vista uma série de aspectos que estão mudando para pior o cenário mundial, como mostra recente artigo publicado no jornal Le Figaro.

A democracia saiu vitoriosa das três guerras mundiais – a última delas resolvida politicamente (fim da guerra fria). A década final do século 20 viu a universalização do capitalismo, a ascensão da sociedade aberta e o progresso do regime democrático nos cinco continentes.

Trinta anos depois, entretanto, o que existe é um contraste impressionante (e preocupante). A economia global sofre com enormes dívidas e desequilíbrios ocorridos após a crise de 2008. Há pressões causadas por conflitos comerciais e o retorno do nacionalismo, simbolizado pela construção de muros nas fronteiras de países.

Em toda parte, a democracia está na defensiva. Por um lado, é designada como inimiga por chineses, russos, turcos e jihadistas de plantão. Por outro lado, é carcomida por populistas de toda sorte.

Uma enorme fadiga tomou conta dos povos democráticos, que se recusam a assumir o fardo e a responsabilidade pela liberdade. A segurança é, agora, preferível à liberdade e a identidade se sobrepõe à cidadania, o que paralisa as instituições e derrota as nações. As democracias sucumbiram à tentação da complacência e seus cidadãos, à tentação de viver apenas com direitos e sem deveres.

A liberdade deteriorou-se mais ainda com o abandono da educação, o desprezo pelo conhecimento e o desrespeito ao Estado de Direito. O declínio dos valores abriu amplo espaço para demagogos, extremistas e fanáticos. O capitalismo, que sofre com a queda da produtividade, é minado por bolhas especulativas criadas por empresas ditas inovadoras, que sobrevivem por anos sem proporcionar rentabilidade ou distribuir riquezas.

Também a globalização foi fragilizada. Tornou-se um modelo insustentável, que reivindica exportar a produção e os trabalhos para a Ásia e retém o valor e os lucros adicionados no Ocidente, tudo isso num momento em que as mudanças climáticas ameaçam sair do controle, assim como a manutenção da paz mundial.

O triunfo de 1989 se transformou na desocidentalização acelerada do mundo. O liberalismo dissolveu-se no materialismo e no individualismo. As democracias, em nome da euforia provocada pela derrota do sistema soviético, perderam o controle da história mundial, pois pararam de tentar compreendê-la e estabilizá-la.

Diante deste cenário, tudo o que não podemos perder é a esperança. As democracias perderam a batalha pós-guerra fria, mas não a guerra do século 21. O que elas precisam é de coragem para reassumir seus valores e a responsabilidade de tornar o mundo um lugar melhor, mais civilizado e, acima de tudo, mais justo.

Somente o povo pode pressionar e exigir de seus governantes as providências para que isso aconteça. Esta é a reflexão necessária que todos nós, brasileiros – aliás, todos os cidadãos do mundo –, temos de fazer. Depois, tudo é questão de agir.

* PRESIDENTE DO SECOVI-SP, O SINDICATO DA HABITAÇÃO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.