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Uma saída da crise?

Ao anunciar altas graduais, Janet Yellen pode estar tentando manter espaço para inverter o movimento no caso de pânico

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2015 | 08h16

A crise econômica mundial nasceu nos Estados Unidos, em 2008, depois da falência do banco Lehman Brothers. Em poucos meses, conhecemos o horror. O mundo enfrentou a maior catástrofe financeira desde 1929. Portanto, é lógico que, mais uma vez, se acendam nos Estados Unidos os primeiros sinais de uma saída da crise, após nove anos e meio de estragos. Que sinais são esses? Na quarta-feira, Janet Yellen, a presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), nos informou oficialmente do “fim da crise”.

O Fed tomou algumas decisões: retirou os sistemas que havia imposto à economia mundial para que continuasse respirando; determinou o fim da taxa de juros zero; e também o fim da liquidez praticamente ilimitada, injetada no mecanismo financeiro, que os americanos chamam de quantitative easing, abrandamento quantitativo.

Lembremos que, depois de 2008, o Fed injetou US$ 2,5 trilhões na economia americana e, além disso, manteve durante sete anos juro zero, a fim de assegurar o pleno emprego e, ao mesmo tempo, fazer com que a inflação voltasse ao patamar de 2%, porcentagem considerada o mínimo indispensável.

O cálculo do Fed é correto? De fato, o crescimento americano se recuperou. Hoje, está em torno de 2,5%. O desemprego baixou concretamente, embora ainda afete 5,0% da população economicamente ativa. Quanto à inflação, permanece modesta: neste momento, está sendo avaliada em 0,2%, enquanto o número desejado por todos os banqueiros centrais é 2,0%. Mas o fato de os salários voltarem a subir deverá provocar uma leve inflação.

Yellen mostra-se de uma prudência extrema. O aumento dos juros, por enquanto, é insignificante e se dará de maneira cautelosa, em função dos resultados. Ela pretende manter a possibilidade de inverter o movimento, no caso de o aumento provocar o pânico, como ocorreu em 2013, quando o então presidente do Fed Ben Bernanke projetara uma primeira volta à normalidade.

O gesto do Fed poderá contaminar os outros grandes espaços monetários e financeiros? De imediato, o Banco Europeu de Frankfurt (BCE) limita-se a observar sem manifestar-se. Não parece decidido a acompanhar o passo do Fed. Por mais um ou dois anos, o BCE continuará aplicando a política do dinheiro fácil e a fornecer quantidades ilimitadas.

Esse diferencial deveria ser benéfico para a Europa. O aumento dos juros do outro lado do Atlântico e a estabilidade dos juros na Europa deveria provocar um recuo da moeda europeia (o euro) e, portanto, ao mesmo tempo, elevar a inflação até perto de 2,0% e facilitar as exportações europeias.

Uma alta do dólar será prejudicial para os emergentes, pois encarecerá o montante das dívidas em dólares, contraídas por empresas da América Latina e da Ásia.

Finalmente, os bancos centrais dos países emergentes se sentirão tentados a aumentar mais ainda os próprios juros de referência, que já são insuportáveis e, em alguns casos, poderiam flertar com os 13%, 14% e mesmo 15%.

Portanto, não há nenhuma certeza, somente o temor de assistirmos a movimentos violentos. “Caro amigo, o seu coração é forte?”, perguntou ontem um conhecido financista parisiense. / Tradução de Anna Capovilla

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