Uma segunda chance para o Ford Explorer

Montadora cria uma versão mais econômica para ressuscitar o modelo, que perdeu seus dias de glória com a onda ecologicamente correta

, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2010 | 00h00

THE NEW YORK TIMES

Quando os veículos utilitários esportivos rodavam pelas estradas americanas, nos anos 90, o Ford Explorer era o rei. Centenas de milhares de unidades saíam todos os anos das concessionárias.

Mas, numa era em que a gasolina está muito cara e a consciência ecológica se faz cada vez mais presente, o Explorer acabou se tornando um fracasso. Durante o programa de troca de carros velhos por dinheiro ? promovido pelo governo americano no ano passado ?, de todos os modelos que circulam pelo país foram justamente os Explorer os que mais viraram sucata.

Com as vendas atuais representando apenas uma pequena fração do que era contabilizado nos dias de glória do carro, os executivos da Ford Motor Company chegaram a pensar em enterrá-lo, junto com o Escort e o Thunderbird ? grandes carros do passado que já não tinham mais razão de existir.

Mas, em vez disso, o Explorer terá uma segunda chance de vida em 2011, como um Crossover mais econômico. A Ford, que sai da recessão com um forte ímpeto, está apostando que os consumidores vão se dispor a testar seus novos modelos, mais modernos do que há alguns anos, e até mesmo um Explorer, que deverá ser lançado no mercado como um utilitário esportivo de nova geração.

Economia. A montadora pretende comercializar o Explorer concentrando o foco na economia de combustível, o que ela nunca fez antes ? não só porque a economia era mínima, mas porque poucos consumidores se preocupavam com isso.

No passado, os modelos Explorer rodavam em média 5 quilômetros com 1 litro de gasolina. A nova versão, mais econômica, deve fazer 10 quilômetros por litro na estrada, o melhor desempenho do seu segmento. "A economia de combustível em si já será uma mensagem", acredita o diretor de marketing da Ford, James D. Farley.

Segundo a empresa, pesquisas mostram que o Explorer ainda tem lugar num mercado cada vez mais comprimido e competitivo. A companhia não aspira reconquistar a fatia que o modelo tinha no passado, até porque nenhum carro hoje é tão popular quanto foi o Explorer nos dez anos em que foi o utilitário esportivo mais vendido do país. Em 1998, as vendas chegaram a 450 mil unidades. No ano passado, foram somente 52.190.

A Ford, contudo, diz que quatro milhões de pessoas ainda possuem um Explorer e a nova versão pode representar enormes lucros para a empresa, mesmo que só uma fração dos clientes do passado se decida por uma versão mais aprimorada.

Além da economia de combustível, a montadora espera atrair compradores ao transformar o formato simplista e quadradão do veículo num Crossover mais elegante, com dispositivos de alta tecnologia.

Novidades. O novo Explorer, com sete lugares, tem aproximadamente o mesmo tamanho do antigo, apesar de ser um pouco mais curto e mais largo. Entre as novas características está uma série de telas que funcionam com um simples toque, que a Ford está introduzindo em quase toda a sua linha de carros novos. A nova versão deve contar ainda com cintos infláveis no banco traseiro e um sistema de "controle do terreno" para reforçar suas capacidades "off road".

Apesar de poucos detalhes terem sido divulgados até agora, especula-se que o novo modelo tenha elementos do Ford Explorer America, um veículo-conceito que foi apresentado por Farley no Salão do Automóvel de Detroit de 2008.

O Explorer, cuja produção deve começar no fim do ano, será um dos vários modelos produzidos na fábrica da empresa em Chicago, onde a companhia está abrindo mais de 1.200 vagas de emprego e investindo US$ 400 milhões.

A discussão sobre a renovação do modelo começou poucos anos atrás. Com a Ford sem dinheiro e as vendas dos utilitários esportivos despencando por causa dos aumentos no preço da gasolina, Farley e seus colegas custaram a decidir se deveriam ou não poupar o Explorer.

A companhia planejava o futuro em torno de uma série de carros de pequeno porte que poderiam ser vendidos em todo o mundo, e o modelo não se ajustava a esses critérios. Mas uma pesquisa interna convenceu a empresa de que toda a sua linha nas concessionários norte-americanas ficaria nula sem o Explorer, apesar de ele não exercer muita atração na Europa e Ásia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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