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Uma visão otimista do futuro da internet

Para alguns especialistas, a internet tem hoje tantos problemas, tantos ataques de vírus, tanta fraude, tanta insegurança, que ficaria mais fácil criar outra, muito mais segura, antes que aconteça uma catástrofe. Num artigo do New York Times, publicado também no Estado, no dia 21-02-2009, o jornalista John Markoff cita, entre outros, o engenheiro Nick McKeon, da Universidade de Stanford, para quem "se não repensarmos a internet de hoje, podemos esperar uma série de catástrofes públicas". Exemplo concreto desse risco é o Conficker, software nefasto, verdadeira bomba-relógio que contaminou 12 milhões de computadores no mundo e já causou os maiores problemas nos centros cirúrgicos da Inglaterra. E que ainda pode causar muitos problemas em escala mundial.Esse temor, contudo, não é compartilhado por outros especialistas, como o professor David C. Schmittlein, deão da Sloan School of Management, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e especialista em internet, entrevistado por esta coluna na quinta-feira passada. "A cada dia, nos deparamos com riscos reais e imaginários sobre o futuro da internet. É claro que a rede tem todos esses problemas de segurança. Mas o mundo todo faz seu esforço para superá-los, com mais educação do usuário, mais ferramentas de software e melhor legislação. E a tecnologia terá remédios eficazes contra o anonimato, para identificar a origem dos ataques dos vírus mais destruidores e os criminosos. Um desses recursos será, sem dúvida, o protocolo IP versão 6. Não podemos viver sempre à espera de catástrofes".Outro problema que tem sido denunciado por especialistas é o risco de congestionamento em escala mundial da rede. Bob Metcalfe, criador da rede Ethernet, e Jim Cicconi, vice-presidente da AT&T, preveem que, com o crescimento do tráfego de dados e imagens no ritmo atual, em dois anos o mundo poderá enfrentar verdadeiro colapso da internet.Schmittlein minimiza também os riscos de colapso da internet em escala mundial. Mais otimista, ele acha que o mundo está enfrentando esses riscos com mais investimentos em infraestrutura e em tecnologia. "Acho que essas advertências sobre grandes riscos, de segurança e de congestionamento, são úteis, mas não podemos considerá-las como previsões inevitáveis".COLABORAÇÃOUma das áreas de pesquisa em que o professor Schmittlein se especializou é a de marketing na internet e os impactos culturais e sociais da rede mundial. Para ele, nada tem mudado tanto o comportamento do consumidor ao longo da história quanto a internet: ''No começo, esse consumidor olha para a tela do computador como se fosse um televisor, numa espécie curiosidade, sem muita participação, ao iniciar a coleta de informação na rede. Numa segunda etapa, o usuário passa a interagir de forma muito mais intensa, a navegar em busca de produtos, serviços, aplicações e soluções, na descoberta do comércio eletrônico. Numa terceira etapa, como a que começamos a viver atualmente, milhões de cidadãos passam a comprar com base em sugestões e conselhos de amigos e vizinhos, de forma muito mais colaborativa, à semelhança do que ocorria antigamente, nas pequenas cidades''. Para o professor do MIT, o mesmo processo de mudança de comportamento dos consumidores está ocorrendo nos países emergentes, apenas com uma pequena defasagem. E a colaboração passa a ser uma das forças novas na internet, que deverá exercer papel cada dia mais importante não apenas no comércio, mas na vida diária e no comportamento dos consumidores.A internet também abriu novas perspectivas de visibilidade e de formação de imagem - especialmente como marca ou branding - para muitas empresas em todo o mundo. Corporações virtuais que nasceram e crescerem na rede - como Yahoo, Google ou Amazon - são exemplos de sucesso mundial e de imagens e marcas criadas na própria internet. É pouco provável que outras corporações nasçam e repitam o sucesso daqueles gigantes virtuais, nas mesmas proporções.AMEAÇA AO JORNALISMOUma das maiores ameaças até da internet tem sido o declínio do jornalismo impresso de qualidade: "As pessoas já não querem pagar pela informação de melhor qualidade dos grandes jornais" - lembra o professor Schmittlein. "Ao mesmo tempo, não é mais possível aos melhores jornais arcar com os custos de uma rede nacional e mundial de correspondentes para produzir as grandes reportagens com uma visão mais profunda dos problemas."Na visão do professor, o jornalismo impresso precisa de uma imensa consolidação - no sentido de transformação de conteúdo e de enfoque: "Os jornais precisam reinventar-se, redescobrir a importância dos assuntos e problemas locais, que sejam do maior interesse da sociedade, como meio ambiente, entretenimento, esportes e educação. Nesse caso, com o aumento do interesse local, as pessoas se dispõem a pagar pela informação jornalística. Tudo isso, no entanto, exige a mudança do modelo de negócios - ainda a ser descoberto, em grande parte, na internet".

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