Unafisco desconfia de sonegação ou retração

A arrecadação de três tributos relacionados à atividade produtiva, como são os casos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ) sofreu queda entre os anos 2000 e 2001. Para o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), isto pode ser sinal tanto de um possível desaquecimento da economia como de um aumento significativo na sonegação. "O governo federal precisa explicar melhor estes números, que contrastam com o seu discurso oficial de arrecadação recorde e aquecimento da economia", cobrou o presidente do Unafisco, Paulo Gil Introini.Segundo a Unafisco, os valores divulgados pela Receita Federal mostram que a arrecadação de IPI, um importante termômetro da atividade industrial, diminuiu em 6,21% entre 2000 e 2001; a do IRPJ, que recai sobre empresas, teve uma queda de 13,02%; e a da CSLL, também cobrada das empresas, retração de 8,65%.O presidente do sindicato lembra que, apesar do lucro obtido pelos bancos - que cresceu 171% de janeiro a agosto do ano passado, em relação ao mesmo período do ano anterior -, a arrecadação do IRPJ dessas entidades, em 2001, decresceu 31,89%.Já o que a Unafisco classifica de ?confisco sobre os salários?, resultante de seis anos de congelamento da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física, foi responsável por uma arrecadação ?indevida? de mais R$ 5,3 bilhões. O IRPF cresceu 0,38% e o Imposto de Renda Retido na Fonte - Rendimentos do Trabalho cresceu 7,10%.De acordo com o estudo do Unafisco, a arrecadação aumentou no País principalmente por causa das contribuições Cofins, CPMF e PIS/Pasep , tributos que oneram o consumo e que não são repartidos com Estados e municípios.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2002 | 17h07

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