Unctad termina com alerta para países pobres

A XI Assembléia Geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), que se encerrou hoje em São Paulo, serviu para alertar os países mais pobre e menos desenvolvidos sobre a necessidade de reduzirem a dependência da exportação de produtos básicos. De acordo com a Unctad, essa dependência, além de outros fatores, é uma fonte inesgotável de vulnerabilidade e uma clara barreira para o desenvolvimento econômico."Essa dependência é um perigo. Mas a questão não é só conscientizá-los dos riscos que ela traz e provoca, e sim a de elaborar propostas para ajudá-los a sair dela", afirmou o secretário-geral da Unctad, embaixador Rubens Ricupero, ao fazer um balanço dos dias da conferência, onde foram realizadas mais de 50 reuniões. Ricupero, cujo mandato termina em setembro, despediu-se hoje do cargo. Para Ricupero, os países menos desenvolvidos precisam se preocupar com essas limitações de ofertas, as quais chamou de "lado escuro da lua". De acordo com a Unctad, os produtos básicos são hoje o meio de subsistência de mais de 2 bilhões de pequenos agricultores. Deste total, metade depende exclusivamente de sua própria produção."Os produtos primários são um componente decisivo das economias da maioria dos países em desenvolvimento. Daí a nossa grande preocupação, porque somos a organização dos países menos desenvolvidos", disse o embaixador.Para a Etiopia, por exemplo, o café representa 67% da receita de todas as suas exportações, enquanto que para o Burundi quase 80%. De acordo com dados da Unctad, dos 141 países em desenvolvimento, 95 dependem de mais de 50% das exportações de produtos básicos, incluindo o petróleo.Força tarefaO embaixador reafirmou ainda que a Unctad vai lançar também uma força tarefa internacional para estudar os problemas que enfrentam os produtos básicos no mercado internacional, além de elaborar propostas para que os países pobres e dependentes possam diversificar sua oferta. Mas, lembrou Ricupero, "o problema não é só a falta de diversificação, mas a falta de recursos para isso, e a Unctad não é um órgão que tem recursos".O secretário geral da Unctad explicou que esse organismo das Nações Unidas é uma espécie de Parlamento do mundo, onde a idéia é debater e formular propostas. "Muitos dizem que a Unctad não tem poder, como o FMI ou o Bird. De fato, não tem, não decidimos nada, mas temos o poder das idéias e não se pode subestimar isso."

Agencia Estado,

18 de junho de 2004 | 16h28

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