Unialco avança na renegociação da dívida

Com débitos de R$ 500 milhões, grupo usineiro conversa com bancos credores para assinar contrato definitivo até fevereiro

O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2014 | 02h03

Com duas usinas de açúcar e álcool em operação no País, o grupo Unialco está em conversas avançadas para renegociar suas dívidas, de R$ 500 milhões, com um pool de sete bancos. Luiz Guilherme Zancaner, acionista controlador do grupo, afirma que o contrato definitivo deverá ser assinado entre o fim de janeiro e início de fevereiro. Segundo o empresário, os termos da renegociação já estão praticamente acertados. "Faltam apenas trâmites burocráticos que estão em discussão entre os advogados envolvidos", afirmou.

Zancaner não deu mais detalhes dos termos da renegociação, que prevê um alongamento do perfil da dívida da companhia. Procurados, os bancos informaram que as conversas estão em andamento.

"Muitas usinas que hoje estão altamente endividadas tomaram financiamento no passado para bancar seus projetos de expansão", disse Zancaner. Juntas, as duas unidades do grupo - uma delas em Guararapes, interior de São Paulo, e outra em Aparecida do Taboado, no Mato Grosso do Sul - têm capacidade de moagem de 4,1 milhões de toneladas. "Nossa prioridade é manter as usinas em operação", disse. As usinas, no entanto, não estão operando a plena carga na safra atual, a 2014/15 (de abril a março), por conta da forte seca que atingiu a região Centro-Sul.

Segundo Zancaner, quando as condições de mercado e do setor estiverem mais favoráveis, a expectativa é encontrar um sócio para entrar no negócio. Não é a primeira vez que o grupo faz parceria para avançar no setor. Em 2005, o grupo Unialco anunciou sociedade com os grupos Manuelita, da Colômbia, e Pantaleón, da Guatemala, para construir a unidade Vale do Paraná, instalada em Suzanópolis (SP), estimulado pela expansão do setor sucroalcooleiro àquela época. Em 2010/11, quando as condições do setor já não estavam mais favoráveis, o Unialco vendeu sua fatia de 50% do projeto para seus parceiros. Foi também nessa mesma época que o grupo também deu início às negociações de suas dívidas.

De acordo com Zancaner, a companhia deve encerrar essa safra com faturamento de cerca de R$ 380 milhões. A receita da companhia deverá crescer para até 430 milhões no próximo ciclo (2015/16).

Crise no setor. Muitas empresas do segmento têm enfrentando problemas financeiros devido à alta alavancagem e à política do governo de contenção de preço da gasolina. As usinas de açúcar e etanol do País devem encerrar esta safra devendo 110% de seu faturamento, de acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única). O faturamento para esse ciclo é estimado em cerca de R$ 70 bilhões. A expectativa da Única é que as empresas fechem a safra devendo em torno de R$ 77 bilhões. O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) anunciou que está renegociando suas dívidas, de US$ 735 milhões.

Altamente endividadas, como reflexo dos investimentos em expansão de novas unidades, sobretudo entre 2003 e 2008, quando o consumo de etanol no mercado interno foi impulsionado pelos carros flex (que usam etanol e gasolina), as usinas continuaram tomando dívida para renovação de seus canaviais, mecanização da colheita de cana, afirmaram especialistas do setor.

A crise começou a se agravar a partir de 2009, o que gerou uma forte onda de consolidação, com a entrada de grupos estrangeiros, que passaram a adquirir o controle de companhias que estavam nas mãos de tradicionais famílias de usineiros.

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