União Europeia busca saída para socorrer bancos 'podres'

Ministros de Finanças buscam alternativas para solucionar a crise de forma conjunta, para não agravar as contas dos países

LUXEMBURGO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h06

Os ministros de Finanças da Europa (Eurogrupo) reuniram-se ontem para examinar formas de fortalecer o setor bancário e quebrar o elo entre bancos em dificuldade e países endividados. A preocupação com o sistema bancário espanhol está no centro das atenções na Europa.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu que a zona do euro crie um canal de ajuda para os bancos em dificuldades em vez de fazê-lo por meio de governos, mas a Alemanha e outros países opõem-se a tais empréstimos diretos, que não são possíveis pelas atuais regras.

A discussão faz parte de um debate mais amplo sobre como a União Europeia (UE) pode se mover em direção a uma união bancária, incluindo um esquema de garantia de depósitos para todos os países do bloco e um fundo para ajudar bancos podres, numa tentativa de deixar a crise da dívida soberana de dois anos e meio para trás.

Essas questões serão discutidas em detalhes pela União Europeia em Bruxelas nos próximos dias 28 e 29.

Lagarde disse na quinta-feira que, ao permitir que o Mecanismo de Estabilidade Europeu , esquema de resgate da zona do euro, ajude credores em dificuldades diretamente - em vez de ajudá-los por meio de governos-, evitaria que problemas bancários agravassem as dificuldades dos países.

Espanha. "O processo de formação de uma união bancária já começou", disse o ministro de Economia da Espanha, Luis de Guindos. Segundo ele, a possibilidade de recapitalização direta pode estar aberta para seu país, que está pronto para receber 100 bilhões (US$ 125 bilhões) de ajuda da zona do euro para combater a crise nos bancos.

"Acho que a recapitalização bancária direta é uma possibilidade", disse ele a repórteres. "É um dos elementos fundamentais para quebrar o elo entre risco bancário e risco soberano", acrescentou o ministro espanhol. "Essa possibilidade está absolutamente aberta para a Espanha se houver progresso nos próximos meses. O processo de recapitalização não é instantâneo", completou o ministro.

Durante a crise, países da zona do euro têm se visto sozinhos na tentativa de resolver os problemas com seus bancos. Para aqueles cujo fardo era muito grande, como foi o caso da Irlanda, o governo recebeu ajuda do FMI e da União Europeia.

Mas, depois de anos em crise, os problemas bancários não mostram sinais de serem resolvidos e os líderes europeus estão sob pressão para formarem uma frente unida e blindar credores em dificuldade, em vez de deixar os países lidarem com os problemas sozinhos.

Veneno. Uma questão central na crise atual é a ideia de que países mais fortes na zona do euro, como a Alemanha, estariam, em última análise, por trás dos credores das nações em maiores dificuldades, e por isso querem que elas resolvam seus problemas sozinhas.

Apesar disso, o fato é que a Alemanha não quer dar esse passo no curto prazo porque se opõe a assumir responsabilidades de outros países. "Nós precisamos quebrar a ligação venenosa entre países e bancos", avaliou uma diplomata da UE. "É sobre solidariedade. Isso não pode ocorrer durante uma noite. É difícil." / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.