União Européia inspecionará soja transgênica brasileira

A União Européia (UE) irá inspecionar a produção e exportação de soja transgênica no Brasil. Uma missão de especialistas europeus desembarcará no País em março na primeira inspeção já realizada por Bruxelas nesse setor da agricultura brasileira. O País, na condição de maior fornecedor de produtos agrícolas para a UE entre os países emergentes, ainda será alvo de um número recorde de inspeções em 2007. No total, seis visitas de veterinários e especialistas europeus ocorrerão até julho. Em 2006, o Brasil esteve perto de ter sua exportação barrada na Europa por causa de problemas fitossanitários. Países europeus que sofrem com a concorrência brasileira aproveitaram para pressionar a Comissão Européia para que estabelecesse embargos a certos produtos. Em alguns casos, como mel e pescado, novas exigências foram criadas para que os produtos pudessem entrar no mercado europeu. Para 2007, o cenário não será diferente. Uma série de missões avaliará a situação da produção de carne, irá vistoriar o setor avícola, a pesca, a situação dos resíduos tóxicos, o sistema de rastreabilidade do gado, febre aftosa e produtos contaminantes no café e outros alimentos. Para diplomatas, essa quantidade de missões reflete a importância do Brasil para o abastecimento de alimentos dos europeus. Dos US$ 49 bilhões exportados pelo País em 2006 no setor agrícola, 31% acabaram nos mercados europeu.A primeira missão européia ao Brasil ocorre já no próximo mês. Já as outras cinco devem ocorrer até maio, o que está exigindo uma coordenação entre o Itamaraty, Ministério da Agricultura e setor privado. Além dos setores tradicionais da agenda agrícola entre o bloco europeu e o Brasil, 2007 ainda irá inaugurar o debate sobre as exportações e produção de sementes transgênicas nacionais. O foco da Europa será o de conhecer como é feita a produção, quais leis existem para controlar o uso de sementes e, acima do tudo, se existe alguma medida para evitar que a produção de soja tradicional não seja misturada ao produto modificado.Os europeus já realizaram no ano passado uma missão para conhecer e verificar a produção na Argentina e, neste ano, selecionaram o Brasil e os Estados Unidos. Até 2004, os europeus tentavam rejeitar qualquer entrada de produto transgênico no bloco. A posição da Europa chegou a ser questionada na Organização Mundial do Comércio (OMC) pelos Estados Unidos e Argentina. Os europeus se recusavam a consumir o milho MON 819 produzido pela Monsanto e o milho T25 da alemã Bayer. Uma moratória ainda foi imposta para aprovação de novas espécies entre 1997 e 2000. Bruxelas acabou flexibilizando sua posição, também graças ao fato de que a Espanha começou a produzir milho transgênico em quantidades expressivas. O tema, porém, ainda não está resolvido. Um dos debates se refere à exigência de que um selo seja colocado no produto para comprovar que não contem sementes modificadas. Outro temor que os europeus vêm mostrando é o da mistura das produções tradicionais com sementes transgênicas. No final do ano passado, a descoberta de arroz transgênico importado dos Estados Unidos dentro de pacotes supostamente sem alimentos modificados gerou fortes protestos na União Européia e o temor de que as importações de outros países também contenham produtos não-orgânicos.

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