Unibanco: ação sobe com possível aquisição

Rumores de que o Unibanco estaria negociando a compra do BBV Banco, numa operação que envolveria troca de ações, alimentaram ontem a alta dos papéis do banco brasileiro. Na Bovespa, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) do Unibanco subiram 2,08%, cotadas a R$ 49,00 o lote de mil, num pregão em que o Ibovespa recuou 0,85%. Em Nova York, os American Depositary Receipts (ADRs, recibos lastreados em ações) do banco tiveram ganho de 4%, depois de registrar alta de 8% no melhor momento do dia. O Unibanco negou a informação por meio de sua Assessoria de Imprensa. O BBV, também através da Assessoria, informou que não comentaria a informação.Segundo analistas, a operação poderia fazer sentido para o Unibanco, principalmente porque a instituição poderia recuperar o espaço perdido no mercado. Com a aquisição do Banespa, o Santander desbancou a instituição do posto de terceiro maior banco privado brasileiro. Além disso, o Itaú comprou o Sudameris em dezembro e o Bradesco adquiriu o Mercantil de São Paulo na segunda-feira. Com isso, o Unibanco, que tem ativos de R$ 58,074 bilhões, ficou bem distante do líder Bradesco, com praticamente o dobro - R$ 116,281 bilhões. O Santander, por sua vez, tem R$ 63,706 bilhões em ativos. Com a eventual compra do BBV, o Unibanco voltaria a superar o Santander, ficando com R$ 70,680 bilhões.O diretor de um banco estrangeiro diz que a transação também faria sentido para o BBV, que até agora não conseguiu ganhar escala suficiente no Brasil. O banco espanhol é a 11.ª instituição privada do ranking, com ativos de R$ 12,606 bilhões, segundo a consultoria Austin Asis. Além disso, o banco amarga fortes perdas na Argentina.As informações que circulavam ontem no mercado davam conta de que o Unibanco compraria o BBV oferecendo parte de suas ações como pagamento. Em julho de 2000, o banco comandado por Pedro Moreira Salles adquiriu o Bandeirantes do banco português Caixa Geral de Depósitos, por R$ 1,2 bilhão, numa operação desse tipo. "Com isso, o BBV continuaria com uma participação no mercado brasileiro, mas diminuiria sua exposição e seu risco na América Latina", comentou o diretor de um banco doméstico. Os rumores sobre a operação, que haviam circulado há algumas semanas, voltaram com força ontem. Segundo o diretor de tesouraria de um banco estrangeiro, os boatos teriam surgido em Nova York. A assessoria do BBV informou ainda que o banco não comentará as informações de que a instituição aumentaria o capital em até R$ 1,4 bilhão.

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