Unibanco cogita elevar projeção da carteira de crédito

Uma expansão muito acima dasexpectativas dos financiamentos para compra de veículos e dosempréstimos para grandes empresas no início do ano já fizeram oUnibanco cogitar uma mudança nas projeções para crescimento dacarteira de crédito em 2008. "Por enquanto, a estimativa de expansão de 25 por centopara o ano está mantida. Mas duas carteiras que podem levar arevisão de guidance: a de veículos, que teve uma pujança muitogrande, e a de grandes empresas, que veio muito acima doesperado", disse nesta quarta-feira o vice-presidentecorporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia em teleconerênciacom jornalistas sobre os resultados do primeiro trimestre. A carteira de crédito total do banco atingiu 66,1 bilhõesde reais no final de março, o que representa um avanço de 40,7por cento em relação ao final do primeiro quarto de 2007. Nessa mesma base de comparação, os financiamentos paracompra de veículos deram um salto de 94,6 por cento, enquanto acarteira de atacado subiu 29,3 por cento. De acordo com Travaglia, nos primeiros meses do ano ademanda por financiamento de automóveis se mantevesurpreendentemente aquecida. "Percebemos que muitos pedidos devendas de veículos não tinham sido atendidas no últimotrimestre de 2007", disse Travaglia. No caso da carteira de atacado, o executivo avaliou que aevolução muito acima do previsto --no trimestre, a carteiracresceu 80 por cento do que o banco esperava para o ano todo--foi motivada pelo momento mais adverso no mercado de capitais,o que levou as grandes empresas a buscar recursos no sistemabancário doméstico. Na avaliação do vice-presidente do Unibanco, os atuaisníveis de expansão podem não se manter ao longo do ano, já quea obtenção do grau de investimento pelo Brasil pode levar asempresas a novamente se financiar por meio de emissão de dívidano mercado internacional. Além disso, o contínuo ingresso de dólares no país,decorrente dessa medida, poderia depreciar ainda mais o câmbio,impactando a carteira do banco para empresas. "Metade dela éindexada ao dólar", afirmou. "O lucro líquido final veio dentro do que eu estavaesperando (753 milhões de reais). O resultado foi bom, aindamais com um retorno anualizado de 27 por cento, que éatraente", disse o analista do setor financeiro da corretoraÁgora, Aloisio Lemos. Além do expressivo aumento das operações de crédito, oresultado do Unibanco no trimestre também foi beneficiado pelaimportante melhora operacional, segundo analistas. Uma delas foi a redução do nível de inadimplência, de 5,1por cento para 3,6 por cento, já apresentando resultado do usode ferramentas de análise de crédito mais sofisticadas,permitindo gastos menores com provisões para perdas. Somado a isso, a redução de despesas administrativas ajudouo banco alcançar um índice de eficiência de 45,3 por cento, umavariação de 3,3 pontos percentuais em um ano, atingindo omelhor patamar da história. Com isso, o Unibanco conseguiuelevar seu índice de rentabilidade sobre patrimônio de 25,1 porcento para 27 por cento. "O resultado foi muito é atraente", disse Aloisio Lemosanalista do setor financeiro da corretora Ágora. LUCRO O Unibanco anunciou nesta quinta-feira que o lucro líquidodo primeiro trimestre cresceu 27,5 por cento em relação aomesmo período do ano passado, para 741 milhões de reais. O Unibanco encerrou o trimestre passado com ativos totaisde 156,2 bilhões de reais, crescimento de 35,6 por cento sobreo período de janeiro a março de 2007. Esta semana o Itaú, segundo maior banco privado do país,divulgou lucro 7,5 por cento maior, com expansão da carteira decrédito em 36 por cento. O Bradesco, por sua vez, anunciou nasemana passada alta de 23,3 por cento no lucro, com avanço de38,5 por cento na carteira. (Reportagem de Aluísio Alves e Alberto Alerigi; Edição deAlexandre Caverni)

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