Unica aconselha voto nulo nas eleições após crise do álcool

Em mais um capítulo da briga entre governo federal e usineiros iniciada, após a crise do álcool, o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, se irritou, nesta terça-feira, com a falta de lideranças políticas no setor de açúcar e de álcool e sugeriu uma campanha pelo voto nulo nas próximas eleições. "Se não fosse a minha liderança negocial a vontade era liderar essa campanha", disse, em meio a outras críticas à falta de ação do governo, durante seminário de abertura da Feira de Negócios do Setor de Energia (Feicana/Feibio), em Araçatuba (SP). Sem citar nomes, o executivo usou como exemplo a recente absolvição dos deputados Professor Luizinho (PT-SP) e Roberto Brandt (PFL-MG), a qual classificou "como falta de vergonha absoluta que os políticos ensinam a nós e nossos filhos". CompromissoMomentos antes, Carvalho, que lidera a principal entidade representativa dos usineiros do País, foi cobrado pelo diretor de dutos e terminais da Transpetro, Marcelino Guedes por um maior compromisso de produção de álcool por parte dos empresários. Guedes afirmou que a falta de uma perspectiva de produção do combustível por parte dos usineiros poderá inviabilizar a estimativa de exportação pela Petrobras, de até 8 bilhões de litros de álcool por ano. "Onde está o álcool e como viabilizar o investimento para aumento de produção e para que não percamos essa oportunidade?", indagou o diretor da Transpetro. Carvalho, irritado, cobrou decisões do governo federal para a formação de estoques reguladores que impeçam a queda do preço do álcool na safra e o aumento na safra. Cobrou ainda uma posição da Petrobras para que faça contratos de longo prazo com os usineiros para que haja uma garantia de fornecimento do combustível. "Nós teremos volumes para seus dutos se vocês nos derem contratos de longo prazo; hoje nós produzimos 300 mil barris dia de petróleo equivalente, 95% no mercado spot", afirmou Carvalho. O presidente da Única admitiu que o setor não condições de assegurar preços e nem de fazer estoques sem que haja um instrumento regulador. CríticasEle ampliou as críticas ao afirmar que o governo impede que o setor privado faça esses estoques. "Não estamos pedindo recursos, estamos pedindo para fazer o estoque; nós podemos fazê-lo mas somos impedidos", afirmou Carvalho ao lembrar que o controle de estoques de álcool pelos usineiros poderia configurar cartel. No entanto, Marcelino e Carvalho concordaram que se não houver um acordo entre governo e os usineiros sobre o combustível, o Brasil perderá mercado para os concorrentes estrangeiros. Já usineiros e presidente da Usinas de Destilarias do Oeste Paulista (Udop), Luiz Guilherme Zancaner, criticaram o câmbio e qualquer tipo de medida intervencionista por parte do governo. "O pior do mundo hoje seria intervenção estapafúrdia que pode afugentar investimentos do setor produtivo", afirmou.

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