Unica critica soluções pontuais para gás e diesel

A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) criticou hoje as propostas estudadas pelo governo de se utilizar álcool combustível em substituição ao gás natural nas usinas térmicas e do retorno dos motores a diesel para os veículos leves no País.Segundo a assessoria da entidade que representa os produtores de açúcar e álcool do Centro-Sul do Brasil, não é possível discutir soluções pontuais para problemas com qualquer tipo de combustível sem antes fazer uma ampla avaliação da matriz energética brasileira.De acordo com a Unica, não é possível, por exemplo, comparar o uso do diesel em veículos de países europeus porque o combustível produzido lá teria uma outra especificidade do comercializado aqui. Sobre o uso de álcool nas térmicas, a Unica informa que a operação é tecnicamente viável, mas que não há estudos concretos sobre o volume do combustível a ser consumido na substituição ao gás natural.Petrobras já faz testes Na edição desta quinta do Estado, foi informado que o Brasil pode trocar o gás natural pelo álcool nas usinas térmicas. A alternativa que reduziria a dependência do País em relação ao gás boliviano, já foi testada pela Petrobras há alguns meses, com resultado positivo. É uma solução que pode ser acionada no "curtíssimo prazo", segundo fontes que acompanham os testes. Os estudos serão apresentados hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Segundo técnicos, a troca do gás pelo etanol exigiria uma adaptação dos equipamentos das usinas térmicas mas, explicam, são alterações tecnologicamente simples. Outra possibilidade, também de curto prazo, é trocar o gás natural pelo óleo combustível nas usinas térmicas. Ao desenvolver essas alternativas, o governo quer demonstrar que o Brasil não depende totalmente do gás boliviano.Mais do que soluções a serem realmente adotadas, esses são trunfos a serem usados nas negociações com a Bolívia em torno dos novos preços do gás. Caso a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) insista em aumentos exorbitantes, a Petrobras deixará claro que não precisa aceitá-los, pois tem como garantir o abastecimento de outras formas.

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