Unica diz que falta mercado estruturado para etanol

Em audiência na Comissão de Agricultura do Senado, o diretor Técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, disse hoje que há uma euforia exagerada em relação ao etanol, sem um mercado estruturado. "Não existe mercado internacional firme. As vendas são esporádicas", alertou. Segundo a Unica, a Índia comprou etanol do Brasil há dois anos e os Estados Unidos foram compradores nos dois últimos anos, mas agora os preços do produto no mercado norte-americano recuaram, o que tornou inviável a venda do produto brasileiro.Outro fator que desestimulou as vendas externas foi o recuo do dólar em relação ao real, disse Rodrigues. Segundo ele, o álcool nos EUA é vendido a US$ 1,65 o galão (3.785 litros) e o produto brasileiro deveria ser comercializado a US$ 0,35 para chegar a um preço competitivo no mercado norte-americano. "Essa cotação é inviável", disse ele. A aposta da Unica é no crescimento do mercado interno, segundo ele.O presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Henry Joseph, disse que as vendas de automóveis no mercado interno devem crescer de 10,2% a 10,6% ao ano até 2013, e que 85% deste mercado será de carros flex fuel. Em 2013, as vendas anuais devem somar 3,3 milhões de unidades, ante 1,850 milhão de unidades na estimativa para este ano.Na mesma audiência pública, o chefe adjunto de comunicação e negócios da Embrapa Agroenergia, José Eurípedes, disse que haverá expansão da área plantada com cana-de-açúcar no Triângulo Mineiro, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Piauí e Maranhão. "Estas áreas estão distantes das áreas críticas, ou seja, do Pantanal e da Amazônia", afirmou. Segundo o pesquisador, o governo vai elaborar um zoneamento que indicará as áreas adequadas para a expansão dos canaviais, estudo que deve estar prontos em 12 meses.

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