Jerome Favre/EFE/EPA
Jerome Favre/EFE/EPA

Unidade de veículos elétricos da Evergrande diz que enfrenta 'séria escassez' de caixa

Evergrande Auto, como é conhecida, disse que parou de pagar algumas despesas operacionais e que alguns de seus fornecedores deixaram de entregar insumos

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2021 | 08h06

PEQUIM - A unidade de veículos elétricos da Evergrande, a New Energy Vehicle Group, informou na sexta-feira, 24, que enfrenta uma "séria escassez de recursos", e que pode não conseguir cumprir com suas obrigações financeiras. A informação, prestada em comunicado enviado à Bolsa de Hong Kong, aumenta os desafios de sua endividada controladora.

A subsidiária, também conhecida como Evergrande Auto, disse que parou de pagar algumas despesas operacionais e que alguns de seus fornecedores deixaram de entregar insumos. A fabricante de carros elétricos afirmou que não houve progresso no reinício da operação de projetos paralisados. 

A Evergrande Auto informou ainda que ainda conversa com potenciais novos investidores, e que negocia a venda de alguns projetos e ativos na China e no exterior. Entretanto, a empresa alertou que se não chegar a um acordo no curto prazo, pode ter dificuldades para pagar salários e outras despesas.

"Em face das dificuldades, desafios e incertezas quanto à melhoria da liquidez mencionados acima, não há garantia de que o grupo conseguirá cumprir suas obrigações financeiras em contratos relevantes", disse a Evergrande Auto.

Em outro comunicado divulgado no domingo, 26, a empresa disse que cancelou os planos de vender ações na China, e de abrir capital na Bolsa STAR Market, de Xangai, voltada a empresas de tecnologia. O papel da montadora chegou a cair mais de 25% no início do pregão de segunda (horário local) em Hong Kong, mas reduzia a queda para 12,11% às 03h03 (de Brasília). Após o fechamento dos mercados asíaticos, o papel da Evergrande Auto encerrou as negociações com tombo de 9,4%. 

Preocupado com a possível falência da Evergrande, o banco central chinês (PBoC) fez, nesta segunda-feira, 27, uma nova injeção de capital no sistema financeiro, com valor equivalente a quase US$ 15,5 bilhões. 

O presidente do conselho de administração da Evergrande, Hui Ka Yan, estabeleceu a meta de que a companhia ultrapassasse a americana Tesla e a chinesa NIO, além de outros grandes players, e se tornasse a maior e mais poderosa montadora de elétricos do mundo até 2025. Por um determinado período, as ações foram embaladas pela ambiciosa meta, e a Evergrande Auto chegou a ter um valor de mercado de US$ 87 bilhões. Desde então, a ação despencou, e recua mais de 90% no ano.

A Evergrande vendeu papéis da Evergrande Auto e de outras subsidiárias para levantar recursos em meio à forte crise de liquidez que enfrenta. Em maio, a incorporadora imobiliária vendeu uma fatia de 2,66% da subsidiária por um valor equivalente a US$ 1,36 bilhão, reduzindo sua participação na empresa para pouco menos de 65%. Fonte: Dow Jones Newswires. 

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