Unilateralismo dos EUA não deve se estender à OMC

Apesar do desprezo dos Estados Unidos pelas Nações Unidas, diplomatas e analistas brasileiros acreditam que o unilateralismo do presidente George W, Bush dificilmente se estenderá para a Organização Mundial de Comércio (OMC), a instituição multilateral que regula o comércio internacional.O diretor do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Valdemar Carneiro Leão, um dos principais negociadores brasileiros na Rodada Doha da OMC, espera que a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque acabe por mobilizar a comunidade internacional a revalorizar o multilateralismo. Mas não esconde o pessimismo em relação à Rodada, que já vivia impasses, sobretudo no setor agrícola, muito antes do início da guerra.A professora Lígia Maura Costa, da FGV, aposta que o unilateralismo de Washington na questão da guerra não se repetirá na OMC. Para ela, quanto mais livre comércio, melhor as possibilidades de os Estados Unidos venderem seus produtos e serviços para o mundo. "Essa oportunidade eles não vão deixar escapar."A professora Lia Valls, da FGV do Rio de Janeiro, acredita que os norte-americanos continuarão negociando nas frentes multilaterais, regionais, bilaterais e unilaterais. "Eles vão continuar em busca de seus interesses comerciais", disse.O pesquisador Chistian Lohbauer, do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da USP (Gacint), disse que as dificuldades das negociações da OMC são muito anteriores ao conflito no Iraque e, independentemente do unilateralismo de Washington, os desafios serão grandes para negociar a Rodada Doha. "O problema real na OMC são os impasses já existentes", disse.

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