Unimed SP passa por crise financeira

A cooperativa médica Unimed São Paulo passa por graves problemas financeiros agravados por uma intensa disputa política. A dívida admitida pela empresa é de cerca de R$ 108 milhões. A oposição interna à atual diretoria contesta e afirma que o valor chega a R$ 128 milhões. As receitas só diminuem: em um período de cinco meses, a carteira de conveniados caiu 25,6%. Dos 479.739 registrados em maio deste ano, sobraram 356.764 no mês passado; 122.975 pessoas a menos. Em maio deste ano, a receita era de R$ 30,7 milhões, tendo encurtado para R$ 20,9 milhões em outubro, uma diferença de 31,7%.A oposição garante ter destituído a diretoria na Assembléia Geral Extraordinária (AGE) que aconteceu na última sexta-feira, no Hotel Transamérica, onde estavam presentes cerca de 1,6 mil dos 2.364 médicos cooperados. Cid Carvalhaes, diretor jurídico do Sindicato dos Médicos de São Paulo, afirma que apenas 16 deles votaram com a situação. "Os membros da diretoria destituída deixaram o auditório antes do fim da AGE debaixo de vaias", conta. Segundo ele, a manobra está prevista no estatuto da cooperativa e foi "perfeitamente legal".O vice-presidente da Unimed, René Magrini contesta a afirmação, dizendo que a AGE foi realizada sob "forte comoção" e que o grupo opositor não permitiu que a diretoria sequer terminasse a explanação. "Havia em torno de 630 médicos presentes, que não concordaram com o aporte de capital solicitado pela Unimed", diz. "Mas isto não significa que estejamos destituídos", completa.Em edital que será publicado amanhã em jornais da capital, Edmundo Castilho, que assina o documento como presidente da Unimed São Paulo, convoca os cooperados para nova AGE, a ser realizada em 26 de janeiro próximo. Na ordem do dia, conforme o edital, está a votação da "destituição dos membros da Diretoria Executiva e demais Conselhos; constituição de Comissão Provisória para (...) administrar a cooperativa e (...) realizar eleições".Na AGE realizada na sexta-feira, a Comissão Provisória, com 14 membros, já foi criada, segundo Carvalhaes. "Hoje já acontece a primeira reunião", afirma ele, escolhido para coordenar a transição até uma eventual nova diretoria assumir.Unimed diz ter situação sob controle A Unimed São Paulo, por meio da assessoria de imprensa, diz manter a situação sob controle, apesar de reconhecer os graves problemas. Segundo material enviado à Agência Estado, a cooperativa tem passivos que podem ser vendidos e tem créditos a serem recebidos. Os passivos seriam da ordem de 97,9 milhões de reais, incluídos na conta dois hospitais (o Central, no valor de 5,4 milhões de reais e o 23 de Maio, em fase de acabamento, ao preço de 40 milhões de reais) e um angar no Aeroporto de Congonhas (R$ 15 milhões).Outra forma de arrecadar dinheiro, proposta na AGE, seria a contratação de um empréstimo junto ao Banco Sudameris. O empréstimo seria pago pelos médicos cooperados, por meio da chamada "carta de capital". Cada um dos associados pagaria R$ 10 mil, o que resultaria em um empréstimo de R$ 24 milhões. A proposta foi negada. A diminuição de custos administrativos também foi proposta. Para tanto, seriam enxugadoscerca de R$ 550 mil da folha de pagamento mensal.O caso está sendo acompanhado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador dos planos de saúde. Ontem, técnicos financeiros da Unimed São Paulo estiveram reunidos com a Diretoria de Normas e Habilitação de Operadoras mostrando os dados econômico-financeiros. Se a cooperativa deixar de atender os conveniados, pode ser multada pela ANS.

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