Universidades buscam acordo com petroleiras

Instituições de ensino querem alinhar suas pesquisas ao Inova Petro, programa que financia projetos no setor

FERNANDA NUNES / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h11

As universidades brasileiras estão em contato com as empresas produtoras de petróleo e gás natural para alinhar suas pesquisas acadêmicas ao Inova Petro, programa de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que vai liberar R$ 3 bilhões até 2017 para a pesquisa tecnológica destinada à indústria petroleira.

"Estamos tentando nos aproximar do setor produtivo para tentar resolver nacionalmente as questões da nossa indústria", afirmou o diretor do Centro de Empreendedorismo Universitário & Consultoria (CEU), Alfredo Laufer, que presta consultoria para a Coordenação do Programa de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).

Entre as pesquisas que vão merecer atenção especial da universidade e serão financiadas pelo Inova Petro está a de separação, ainda embaixo d'água, de petróleo e da água que sempre vem associada ao produto, com a utilização de nanotecnologia.

"No Brasil, negócios e pesquisa ainda não se fundiram. Ainda não há a percepção de que pode haver uma intersecção entre eles. O legal é que a universidade e as empresas começam a se dar conta de que não podem viver no isolamento, para não cair na obsolescência", alertou Laufer.

O Inova Petro financia pesquisas que solucionem desafios em processamento de óleo e gás de superfície, instalações submarinas e instalações de poços.

Futuro. Durante a Rio Oil & Gas, o principal evento da indústria petroleira nacional, que aconteceu no Riocentro esta semana, foram recepcionados 2,3 mil estudantes de 35 universidades brasileiras, dentro do programa "Profissional do Futuro". Durante as palestras que receberam de executivos de petroleiras e representantes de universidades, os alunos foram preparados para conviver em um ambiente de extrema competitividade.

"Com a crise econômica e a consequente atração de investidores estrangeiros para o Brasil, as universidades passaram também a competir com as universidades estrangeiras. Elas vêm integradas com as empresas para oferecer serviços", disse Laufer.

Ele atribui à formação deficiente do ensino básico e acadêmico boa parte da dificuldade da indústria nacional em vencer os seus desafios e até mesmo o atraso na entrega de projetos de engenharia. "O atraso faz parte da nossa infraestrutura cultural. Não há planejamento. Durante as palestras aos estudantes, dizemos que é preciso ter atitude. Queremos emitir conceitos."

Governos estaduais e universidades custearam o transporte e a estadia dos "profissionais do futuro" da indústria petroleira até o Riocentro.

A Universidade de Vila Velha, do Espírito Santo, enviou 150 estudantes ao evento. A Universidade Federal de Pernambuco e a Petrobrás, que constrói no Estado a Refinaria Abreu e Lima, enviaram 41 alunos.

"Mas o destaque foram os estudantes do Amazonas. São cerca de 30, que se organizam desde janeiro para participar do evento. Cada um pagou a sua própria passagem. Esses possuem uma atitude realmente empreendedora", disse o diretor do CEU.

Sobre a maioria dos alunos universitários de engenharia e demais áreas de interesse do setor de óleo e gás, a posição do professor, entretanto, é de desconfiança. "Para formar gênios, é preciso uma base educacional consistente e um contingente populacional muito grande. Ainda temos de avançar nesse sentindo", lamentou Laufer.

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