Uribe tenta levar Evo e Correa até os Estados Unidos

Na contracorrente do movimento integracionista na América do Sul, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, trará nesta sexta-feira à 32ª Reunião de Cúpula do Mercosul, no Rio, uma oferta de intermediar uma negociação da Bolívia e do Equador com os Estados Unidos para a obtenção de preferências tarifárias.Embora não haja chances de aprovação dessa proposta pelos governos de Evo Morales e de Rafael Correa, Uribe trabalha nessa tese como forma de seduzir La Paz e Quito a aceitar o fato de a Colômbia ter celebrado um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, ainda sem aprovação do Congresso americano.A aproximação com os Estados Unidos seria ainda, do ponto de vista de Uribe, uma maneira de evitar uma cisão na Comunidade Andina de Nações (Casa). O bloco enfrentou, em abril de 2006, a saída da Venezuela de Hugo Chávez, como protesto contra os tratados fechados pelo Peru e a Colômbia com os Estados Unidos. A CAN se vê dividida entre os que se aproximaram de Washington - Colômbia e Peru - e os que mantêm as linhas nacionalistas e antiamericanas - Bolívia e Equador. Enfrentará ainda a inevitável diluição de suas regras de união aduaneira quando os TLCs começarem a ser implementados.Uribe mostrou-se ciente dessas dificuldades. Também está a par das pressões do Congresso americano para que o TLC fechado pela Colômbia seja reaberto para a inclusão de cláusulas trabalhistas. Mas o presidente colombiano defendeu que uma mensagem de harmonia entre a CAN e o Mercosul pode ser um "fator de unidade na América Latina e um elemento de ajuste das relações da região com os EUA".Na quinta-feira, Chávez deu sinais de uma possível reaproximação com a CAN. Afirmou que não seria impossível o regresso da Venezuela ao bloco, como resposta aos insistentes pedidos de seus "camaradas" Morales e Correa. Mas frisou que esse movimento teria um preço alto: a reforma do bloco.Embora não tenha detalhado o plano de mudança na CAN, é certo que Chávez não toleraria a convivência com sócios que têm os EUA como parceiros preferenciais.

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