Uruguai anuncia medidas para conter disparada dos preços

O ministro de Economia do Uruguai, Alberto Bensión, anunciou hoje que o governo do presidente Jorge Batlle adotará uma série de medidas para conter a alta dos preços dos alimentos, que vêm sofrendo forte incremento desde a mudança do regime cambial do país, há 20 dias, quando foi adotada a livre flutuação da moeda. Os preços dos principais alimentos subiram, em média, entre 10% e 30% desde a liberalização do câmbio no Uruguai. Agora, o governo não só quer evitar uma disparada ainda maior, como também reduzí-los.Entre as medidas cogitadas pelo ministro estão a redução da alíquota da Tarifa Externa Comum (TEC) para o trigo e a farinha. A TEC desses produtos está hoje em 11,5%, alíquota acertada no âmbito do Mercosul. Bensión disse também que o governo eliminará a obrigatoriedade de financiamento para alguns produtos importados da Argentina e a lista de preços de referência que havia sido adotada para evitar "dumping" da indústria argentina, beneficiada com a desvalorização do peso, em janeiro deste ano.De acordo com informações da imprensa uruguaia, as medidas foram anunciadas pelo ministro de Economia durante uma sessão do Congresso, onde Bensión foi convocado para explicar os rumos da economia do país depois da liberação do câmbio. Em quase 18 horas de sessão, os parlamentares fizeram duras críticas sobre a condução da economia uruguaia. Bensión disse ao final da interpelação que a política econômica do governo não irá mudar.O ministro explicou que o governo decidiu adotar essas medidas depois que se verificaram fortes incremento nos preços da cesta básica de alimentos nas duas últimas semanas, decorrentes da desvalorização do peso uruguaio, que já perdeu quase 54% de seu valor nas últimas três semanas. Em janeiro deste ano, quando o Uruguai praticava ainda o regime de bandas de flutuação, a moeda norte-americana estava em 14 pesos. Hoje, sob o regime de livre flutuação, a cotação estava em 26 pesos.O ministro disse também que será eliminada a lista de produtos que são obrigados a adotar prazos de financiamento mínimo para sua importação desde a Argentina. Entre eles estão as carnes de vaca, suína, ovina e de aves, além de azeites, arroz, frutas e verduras. Com isso, os importadores poderão pagar à vista as mercadorias adquiridas na Argentina. Essa lista de produtos com financiamento obrigatório foi adotada pelo governo uruguaio em janeiro, quando a Argentina abandonou a conversibilidade, que mantinha a paridade entre o peso argentino e do dólar.

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