Uruguai anuncia medidas para conter preços dos alimentos

Pacote de medidas que será detalhado pelo BC uruguaio pretende enfrentar inflação e baixa do câmbio

Marina Guimarães, da Agência Estado,

25 de abril de 2008 | 12h52

O Banco Central do Uruguai vai anunciar nesta sexta-feira, 25, medidas para enfrentar a alta dos preços dos alimentos e limitar a baixa do dólar. O pacote de medidas inclui o aumento dos depósitos compulsórios por parte dos bancos, chamados em espanhol de "encajes"; um compulsório de 100% para os depósitos do governo; autorização transitória para pagar impostos com dólares; facilitação das importações de frutas e verduras; e permissão para comprar títulos da dívida em pesos. Veja também:Alimentos triplicam alta e IPCA-15 mais que dobra em abril ONU alerta para crise global real com alta de alimentosEspecial: Entenda a crise dos alimentos  Câmara Setorial de Arroz descarta a possibilidade de desabastecimento   Abitrigo estima que o preço continuará subindo nos próximos meses    Indagado pela Agência Estado, em Montevidéu, sobre se as medidas são suficientes para enfrentar a alta do petróleo, dos alimentos e o mal clima internacional derivado da crise dos Estados Unidos, o ministro de Fazenda do Uruguai, Danilo Astori, disse que seu país "está bem preparado para enfrentar esse momento de incertezas que estamos todos vivendo, sobretudo pela situação da economia norte-americana". Segundo ele, "o Uruguai resolveu seus problemas financeiros, está em equilíbrio fiscal, com as contas em dia, e ao mesmo tempo realiza permanentes esforços para controlar as expectativas inflacionárias provocadas, sobretudo, pelo lado do aumento dos preços dos alimentos e, particularmente dos bens que o país exporta".  Astori, disse que as medidas que foram adiantadas por ele na quinta e detalhadas nesta sexta pelo BC são um complemento dessa política que vem sendo implantada no país. "Confiamos muito em que, junto com a conduta que temos tido nas questões fiscais e outras medidas em vigor no campo monetário, mais as facilidades para a importação de alimentos, as medidas serão úteis para continuar controlando essas pressões", afirmou. Os bancos uruguaios não gostaram dos anúncios de Astori. O diretor executivo da Associação de Bancos Privados e ex-presidente do Banco Central do Uruguai, Julio de Brun, disse à AE que essas medidas "são para que os bancos compartilhem o custo da política monetária". "É ruim para o país retroceder na estratégia de desdolarização da economia".  Ele explicou que o objetivo da alta dos compulsórios é imobilizar uma porcentagem maior dos depósitos, o que provocará menor liquidez e, o governo poderá aliviar a compra de dólares para manter a divisa, além de que o BC não terá que emitir tantas letras para tirar os pesos em circulação. Com menos liquidez, Brun acredita que haverá um encarecimento do crédito. Astori afirmou que não conhece a posição da Associação dos Bancos, mas ele disse à AE que "não acredito que nenhuma destas medidas possa encarecer o crédito". Em meio à boatos de sua renúncia para candidatar-se às eleições do próximo ano para a Presidência do Uruguai, Astori negou-se a confirmar sua suposta intenção de ser candidato. Também evitou dar opiniões sobre a renúncia do ministro de Economia da Argentina, Martín Lousteau, e sua substituição por Carlos Fernández. "Prefiro não fazer comentários sobre esse tema, mas não creio que essa mudança não provocará impacto algum para o Uruguai", concluiu.

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