Uruguai e Argentina podem ter fronteiras fechadas

Todas as passagens da fronteira entre a Argentina e o Uruguai correm o risco de ser bloqueadas por parte dos manifestantes argentinos contrários à construção da fábrica de celulose Botnia na cidade uruguaia de Fray Bentos. A ameaça de um bloqueio total da fronteira é para a próxima sexta-feira, que antecede o fim de semana que marca o início da época de grande movimento turístico da Argentina para o Uruguai.A principal das três pontes internacionais (Gualeyguachu - Fray Bentos) já está bloqueada há quase dois meses, e as outras duas (Concordia-Salto e Colón-Paysandú) sofrem bloqueios programados há um mês. Mas a promessa é de que estas também serão fechadas totalmente. Agora, os manifestantes já fizeram o "reconhecimento" do porto de Buenos Aires, onde embarcam e desembarcam os turistas que viajam em embarcações da empresa Buquebus, a maior e mais importante companhia responsável pela travessia do Rio de La Plata.Para a tarefa de bloqueio total dos caminhos que levam ao Uruguai - exceto do aeroporto -, os manifestantes vão contar com o apoio e ajuda de um setor dos "piqueteiros", aqueles cidadãos desempregados ou aposentados que realizam bloqueios de pontes e do trânsito em todo o país para reivindicar algum benefício ou direito. Até o momento, o governo de Néstor Kirchner não tem reprimido as manifestações, mas, desta vez, a ordem do Ministério do Interior à Prefeitura Naval, responsável pela segurança dos portos, é a de "não permitir um piquete no porto de Buenos Aires".Uma fonte da chancelaria argentina explicou que "em ano eleitoral, o que menos o presidente Kirchner deseja é irritar os portenhos com um piquete que os impeça de ir e vir". É na Capital Federal, onde Kirchner possui menos votos, menor índice de aprovação e maiores críticas.

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