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Uruguai é arrastado pela crise argentina

A Argentina, que neste mês entra no quinto ano consecutivo de recessão, se transformou em vilã do Uruguai, outrora considerada pelos portenhos uma extensão da província de Buenos Aires. Desde dezembro do ano passado, quando a Argentina começou a viver a maior crise de sua história, o Uruguai perdeu 53,9% de suas reservas internacionais líquidas, passando de US$ 2,926 bilhões para US$ 1,35 bilhão, de acordo com dados do Banco Central do Uruguai (BCU) divulgados no começo desta semana.Apenas em maio, as reservas uruguaias derreteram US$ 221 milhões. A autoridade monetária informou que a sangria de reservas no mês passado foi provocada pela venda de divisas e empréstimos ao governo do presidente Jorge Batlle, que, há menos de uma semana, quase provocou uma crise diplomática ao chamar os argentinos de "bando de ladrões, do primeiro ao último". Horas depois, arrependido e com lágrimas nos olhos, Batlle se retratou e pediu desculpas.Pior, a economia do país despencou 10,1% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, colocando o PIB uruguaio em uma queda vertiginosa a partir de janeiro de 2000, quando mostrou a sua última expansão (menos de 0,3%). Em comparação ao trimestre imediatamente anterior (outubro a dezembro de 2001), a economia uruguaia se retraiu 3,6%. O comércio, restaurantes e hotéis tiveram o pior desempenho dos últimos anos. A queda nesse setor foi de 20%, por causa da pouca entrada de turistas, principalmente argentinos.MetaA brutal queda do PIB no começo deste ano deixa o governo Batlle em situação extremamente complicada com o FMI, já que a carta de intenções recentemente assinada prevê este ano uma expansão do PIB de 1,75%. Isso significa que, para atingir essa meta, a economia uruguaia terá de apresentar uma forte reação no segundo semestre. Ainda de acordo com dados do BC uruguaio, os investimentos privados caíram 27,3% e os públicos, 21,2%.A perda constante de reservas internacionais levou o governo uruguaio a pedir socorro às instituições multilaterais de financiamento, que, ao contrário da renitência em relação à Argentina, decidiram liberar recursos para assegurar a solvência das contas públicas (financiamento do déficit fiscal) e para honrar compromissos de sua dívida pública do país, deste e do próximo ano.O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por exemplo, está próximo a liberar US$ 500 milhões. Esses recursos devem somar-se a uma ajuda adicional de US$ 1,5 bilhão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o biênio 2002/2003 anunciado na semana de Corpus Christi, a US$ 600 milhões de um outro programa aprovado pelo FMI em março e, provavelmente, a US$ 110 milhões do Banco Mundial (Bird). Esses montante de pouco mais de US$ 2,7 bilhões deve servir também para fortalecer o sistema financeiro uruguaio, que vem sendo submetido a fortes pressões do mercado, e para recompor as reservas líquidas do BCU, que derreteram nos últimos cinco meses.Analistas uruguaios acreditam, no entanto, que esses recursos não serão suficiente para tirar o Uruguai do sufoco. De acordo com eles, existem temas pendentes que precisam ser resolvidos pelo governo, principalmente na área fiscal. Para os analistas, os empréstimos serão um elemento valioso para dar maior tranquilidade à combalida área fiscal. Mas advertem que não serão suficientes, já que a brecha fiscal e gigantesca e a economia não mostra sinais de recuperação.

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