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Uruguai ignora Brasil e mantém reunião comercial com EUA

O governo do Uruguai decidiu ignorar as ameaças brasileiras e manterá sua reunião em outubro com os Estados Unidos para decidir como serão lançadas as negociações para o estabelecimento de um acordo comercial entre Washington e Montevidéu. A reunião está marcada para ocorrer em Washington e a diplomacia uruguaia afirma que seguirá adiante com a proposta de um zona de livre comércio, contrariando o Itamaraty. O chanceler Celso Amorim havia feito alertas contra os uruguaios há poucas semanas, apontando que um acordo entre um membro do Mercosul e os Estados Unidos somente seriam aceitos se fossem "limitados". "Os países estão livres para explorar possibilidades, mas que não comprometam o coração do Mercosul e o coração do Mercosul é a tarifa externa comum", afirmou Amorim há uma semana. O Mercosul, como união aduaneira, obriga todos seus membros a cobrar tarifas de importação equivalentes a produtos que venham de outros mercados. Caso o Uruguai entre em um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, Montevidéu estaria "furando" a união. Para diplomatas de alto escalão do governo uruguaio, o acordo entre os Estados Unidos não pode ser limitado. "Ou temos um acordo de livre comércio ou nada", afirmou um importante negociador uruguaio. Ele ainda lembra que um verdadeiro problema para a união aduaneira não é o comportamento do Uruguai, mas o comércio de quase US$ 16 bilhões entre a zona franca de Manaus e o resto do Brasil.Segundo os uruguaios, uma reunião nas próximas semanas em Washington definirá a modalidade das negociações com a Casa Branca. A pressa de Montevidéu tem um motivo: em junho de 2007 expira a Autorização de Promoção Comercial (TPA), permissão dada pelo Congresso para que a Casa Branca negocie acordos comerciais. Os uruguaios esperam avançar o acordo até lá.Já o Brasil, assim como a Argentina, ainda teme que o acordo com os americanos inclua temas que ainda não estão consolidados dentro do Mercosul, apesar de todos os esforços do bloco. Uma das preocupações seria uma liberalização no setor de serviços, além de proteção de investimentos e propriedade intelectual. No caso do acordo dos Estados Unidos com o Chile, América Central e Peru, porém, Washington pressionou para que esses temas fossem obrigatoriamente incluídos. "O trem pode não passar outra vez", comentou Tabaré Vázquez, presidente uruguaio, no início do mês sobre a oportunidade de negociar com os Estados Unidos.

Agencia Estado,

26 de setembro de 2006 | 19h50

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