Uruguai implementa "corralito" no feriado bancário

Embora o governo uruguaio venha negando desde a semana passada, o Banco Central do Uruguai (BCU) praticamente implementou uma espécie de "corralito financeiro" (confisco de depósitos) ao estilo argentino para os depósitos dos uruguaios. Com a decretação do feriado bancário na terça-feira, que deverá ser estendido até a próxima sexta-feira, inclusive, os uruguaios poderão sacar dinheiro só nos caixas eletrônicos a partir de hoje, mas de forma limitada.Os saques poderão ser feitos apenas em pesos de contas em pesos. Os saques em pesos ou em dólares de contas em dólares não foram autorizados e nem operações cruzadas. Foi determinado ainda um limite para os saques. Será de 50% do limite diário até antes do feriado bancário. Isso significa que cada correntista não poderá tirar mais do que 5 mil pesos (menos de US$ 150 ao câmbio de 35 pesos por dólar). O BCU ainda não informou se os correntistas dos bancos Montevidéu e Caja Obrera, que estão sob intervenção, poderão realizar essas operações.O ministro de Economia, Alejandro Atchugarry, adiou por algumas horas a entrevista à imprensa que concederia hoje cedo. De acordo com fontes do ministério, Atchugarry deverá confirmar a prorrogação do feriado bancário até sexta-feira e a possibilidade de realizar transações apenas por meio dos caixas eletrônicos. O ministro poderá ainda anunciar outras medidas para e sobre o sistema financeiro.O governo uruguaio decretou o feriado bancário para evitar uma fuga maciça de depósitos que, nos últimos sete meses, já chega a 33%. O governo foi obrigado também a implementar essa medida porque o BCU não conseguiria suportar a pressão e seria obrigado a queimar as exíguas reservas que sobraram depois de perder, em média, quase US$ 50 milhões por dia somente neste mês.O país sofre hoje uma espécie de efeito colateral da crise argentina. Em apenas sete meses (de janeiro a julho), o BCU perdeu 76% de suas reservas, passando de US$ 3 bilhões, no início do ano, para US$ 725 milhões até antes do feriado bancário. O Uruguai espera que, até sexta-feira, o Fundo Monetário Internacional autorize uma antecipação de pelo menos US$ 600 milhões dos US$ 1,5 bilhão prometidos em maio, quando fecharam um acordo que permitisse complementar recursos já aprovados em março.

Agencia Estado,

31 de julho de 2002 | 12h04

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