Uruguai inicia semana de olho em acordo com EUA

O governo do presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, começa nesta semana uma nova etapa na aproximação com o governo dos Estados Unidos, com a intenção de negociar um eventual acordo de livre comércio com esse país. Na próxima quarta-feira, Vázquez se reunirá com o responsável pelo desenvolvimento do comércio dos Estados Unidos no continente, Everett Eissenstat, que estará em Montevidéu para participar da reunião do Conselho das Américas. A presença de Eissenstat coincide com um aumento da tensão do Uruguai com a Argentina por causa da "Guerra da Celulose", além de uma profunda insatisfação das classes política e empresarial uruguaias com o Mercosul. No entanto, nos últimos meses, o Brasil e a Argentina já deixaram claro que o país do Mercosul que assinar um acordo com um terceiro não poderá permanecer como sócio pleno do bloco. Apesar dos alertas para não consumar uma relação que por enquanto está nos flertes, o governo uruguaio continuou em sua política de aproximar-se dos Estados Unidos. Nesta semana, Eissenstat se reunirá também com os integrantes da equipe econômica uruguaia em Montevidéu.Estava previsto que nesta segunda-feira o Conselho de Ministros discutiria as negociações para um acordo. No entanto, a reunião do gabinete concluiu sem que o assunto fosse tratado. A ministra de Desenvolvimento Social, Marina Arismendi, declarou-se contra um acordo com os norte-americanos. Ela sustentou que uma eventual negociação com Washington "não está na agenda do presidente". Divisões As declarações de Arismendi, do Partido Comunista, mostram as divisões que afetam a coalizão de governo, a Frente Ampla, formada - a modo de colcha de retalhos - por socialistas, comunistas, ex-guerrilheiros tupamaros, democratas-cristãos e ex-integrantes do Partido Nacional (conservador-nacionalista).No fim de semana, o Ministro da Economia do Uruguai, o moderado Danilo Astori, defensor das negociações com os Estados Unidos, afirmou que espera definir as bases de um "amplo acordo comercial". O próprio Vázquez, na sexta-feira, sustentou - de forma elíptica, em clara alusão às frustrações que seu país está tendo com o Mercosul - que o governo uruguaio "trabalhará intensamente para conseguir em outras partes do mundo aquilo que não consegue na região". Mas, os sindicatos, grupos de esquerda e estudante pretendem impedir o avanço das negociações com uma série de protestos nesta semana.

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