Uruguai quer reestruturar parte de sua dívida, diz jornal

O governo uruguaio estuda a possibilidade de propor aos credores o alongamento de parte de sua dívida por meio de uma troca voluntária de títulos de curto prazo por outros de prazo maior, informa hoje o site do jornal "El Observador". Fontes oficiais e de bancos privados, mantidos no anonimato, informaram ao jornal que funcionários do governo vêm realizando contatos com investidores institucionais para saber suas opiniões sobre esse assunto.Membros da equipe econômica querem que essa possível reestruturação da dívida pública do país não seja interpretada como "default", mas apenas como uma espécie de "moratória autorizada", conhecido também como concordata, concedida a países em dificuldades de honrar seus compromissos sem que isso o afaste do sistema financeiro internacional. Esse mecanismo de concordata para países será um dos temas a serem discutidos durante a Assembléia Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird) a partir do dia 25 de setembro em WashingtonO "El Observador" informa ainda que técnicos do Ministério de Economia e do Banco Central do Uruguai (BCU) vêm definindo algumas alternativas para essa possível troca voluntária de títulos de curto prazo por outros de vencimento maior sem que isso gere perdas aos credores. Essas alternativas também estariam sendo analisadas pelo FMI. Qualquer tipo de reestruturação de dívida que prejudique os investidores e de forma unilateral seria considerada default.No restante deste ano e em 2003, o Uruguai tem a pagar US$ 2,186 bilhões referentes a juros e capital. Em 2004, esses vencimentos superam os US$ 1 bilhão. Embora essas cifras não superem os US$ 3,8 bilhões que receberá dos organismos multilaterais de financiamento (FMI, Bird e BID) até o final do próximo ano para honrar esse compromissos, o governo uruguaio estaria preocupado com o crescimento do déficit fiscal.De acordo com o site do jornal uruguaio, a operação da troca voluntária de títulos da dívida do país poderá ser definida na próxima semana, quando o presidente do BCU, Julio de Brun, e membros do Ministério de Economia estarão na assembléia do FMI.

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