Uruguai se compromete a evitar "corralito"

A nova equipe econômica do governo uruguaio, empossada no decorrer desta semana, se comprometeu a honrar os compromissos nacionais e internacionais assumidos pelo país e descartou qualquer possibilidade de adotar algum tipo de "corralito financeiro" (confisco de depósitos) ou de reestruturar unilateralmente a sua dívida externa, conforme rumores em Wall Street.O economista Julio de Brun, que assumiu na quinta-feira a presidência do Banco Central do Uruguai, acredita que, em um horizonte de 60 dias, o quadro de queda de depósitos no sistema financeiro e de perda de reservas internacionais poderá ser revertido. No discurso de posse, Brun pediu tranqüilidade e calma aos correntistas e garantiu que as regras do sistema financeiro serão mantidas e que o BCU as fará cumprir.Ele lembrou que, apesar de o Uruguai estar sofrendo "ataques especulativos" de vários tipos, o país está conseguindo enfrentá-los. De Brun disse ainda que a nova equipe econômica vai trabalhar em busca, a médio prazo, da solvência fiscal para as contas do governo e para resolver, no curto prazo, os problemas de liquidez do sistema financeiro.No discurso, o presidente do BC uruguaio afirmou ainda que a autoridade monetária vai se esforçar para que a atividade econômica do país e a estabilidade da moeda se mantenha dentro da normalidade, além de garantir a capacidade de honrar os compromissos internacionais do país e o funcionamento do sistema financeiro.O novo ministro de Economia, Alejandro Atchugarry, disse, por sua vez, que as novas autoridades do BCU trabalharão também em busca de uma regulamentação bancária mais afinada para dar respostas rápidas a episódios como os que o setor financeiro enfrentou nos últimos meses. No campo político, os partidos Blanco e Colorado, os mais importantes do país, se comprometeram a manter "uma ano de paz política" para facilitar o trabalho da nova equipe econômica do presidente Jorge Batlle.Por volta das 14h30, o dólar era negociado no mercado de câmbio uruguaio a 23 pesos para compra e a 26,50 pesos para venda, patamares idênticos ao fechamento de quinta-feira. No mercado interbancário, a moeda norte-americana se mantinha em 24,90 pesos para compra e 25,00 pesos para venda. A taxa de risco país, porém, já se encontra no patamar de 2.700 pontos básicos. O BC também licitou esta semana o primeiro lote de Letras do Tesouro em pesos com prazo de sete dias e uma taxa de 140,4%. Depois licitou outro lote de letras de cinco dias com taxas médias de 129,2%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.