Usiminas dispensa 60 funcionários

Empresa prevê queda de até 42% nas vendas no primeiro trimestre

Ivana Moreira, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Maior fornecedora de aços planos das montadoras, a Siderúrgica Usiminas confirmou ontem a demissão de 60 operários na Usina de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro. A indústria trabalha com a perspectiva de que as vendas caiam até 42% no primeiro trimestre de 2009 na comparação com o mesmo período do ano passado. Mesmo com a grande retração no mercado, a companhia não concedeu férias coletivas - a exemplo de outras empresas do setor - e não anunciou nenhum plano nesse sentido, apesar de antecipar a parada de dois fornos, para manutenção. Segundo a Assessoria de Imprensa da Usiminas, as demissões tem sido, prioritariamente, de empregados em condições de aposentar-se ou de aposentados recontratados na fase de aquecimento da demanda. No setor de ferro-gusa, a onda de demissões é crescente. O socorro anunciado na quinta-feira pelo governo do Estado chegou tarde, avaliam executivos das empresas e o Sindicato dos Metalúrgicos de Sete Lagoas. Na região, onde estão instaladas 21 indústrias, quase 4 mil operários foram demitidos desde novembro, segundo dados do sindicato. "A ajuda é bem vinda mas chegou tarde", comentou Ernane Geraldo Dias, diretor do sindicato. "Não resolve nada imediatamente, talvez possa ter efeito a longo prazo."Minas Gerais é o responsável pela maior parte da produção nacional de ferro-gusa, insumo básico na produção siderúrgica. Cerca de 80% dos altos-fornos estão abafados. A análise dos empresários é que as medidas do governo devem alterar pouco a situação.O pacote mineiro contém dez medidas, entre as quais a redução da taxa de juros, de 6% para 4% ao ano, do Programa de Financiamento de Projetos de Reflorestamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e adiamento do vencimento das contas de energia elétrica da Cemig. Também foi ampliado o prazo de pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).O governo também estuda incluir alguns insumos do ferro-gusa na lista de geradores de crédito de ICMS e deverá publicar uma instrução normativa até o fim do mês. A principal reivindicação dos guseiros, porém, não foi atendida: a abertura de linhas de crédito específico para a retomada da atividade.

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