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Usiminas e Cosipa admitem desabastecimento de aço

A Usiminas e a Cosipa admitem o desabastecimento de alguns tipos de aço no mercado doméstico. O presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares, informou à Agência Estado que a demanda tem sido maior do que as empresas tinham programado. O executivo admitiu a possibilidade de faltar aço no mercado brasileiro neste final de ano. "Acredito, porém, que seja mais uma falta para reposição de estoques do que propriamente para a produção", disse.O diretor comercial da Cosipa, Renato Vallerini Jr, afirmou que a siderúrgica tem garantido aos clientes, em geral, a média de compra do ano. A Cosipa é controlada pela Usiminas. "O que tem sido difícil para nós é o atendimento de quantidades maiores que a média de compra das empresas", disse.Prioridade para exportaçãoA explicação do executivo para essa aparente falta de alguns itens é que a demanda no segundo trimestre teria sido mais fraca do que as projetadas e as usinas nacionais, visando a compensação dos volumes não vendidos internamente, assumiram compromissos de exportação. Segundo ele, um dos setores com desempenho mais fraco no período foi o automobilístico, incluindo autopeças.Alguns analistas creditam a falta de aço no mercado nacional à falha no planejamento das siderúrgicas. Eles afirmaram que com o desaquecimento do mercado doméstico, desde o final do primeiro semestre, as siderúrgicas redirecionaram os produtos para o mercado externo, sem deixar margens para atender uma possível retomada da demanda no mercado nacional, principalmente por estarem trabalhando no limite de capacidade.Vallerini disse que quando há um redirecionamento de vendas normalmente os compromissos são assumidos por períodos equivalentes a um trimestre ou mais. Para o executivo "é evidente" que as usinas terão dificuldade em atender o mercado doméstico frente uma súbita mudança de cenário. "Não se pode simplesmente cancelar os compromissos de exportação porque o mercado interno se mostrou ativo repentinamente", disse. PaciênciaSegundo o diretor, a Cosipa, além de procurar manter o atendimento regular aos clientes está remanejando compromissos já assumidos de exportação, para aumentar o abastecimento interno. "Entretanto, há de se ter paciência, pois não se pode simplesmente cancelar os compromissos com os clientes de exportação", afirmou. A expectativa da empresa é de que em 2003 a situação deva voltar à normalidade de forma gradual.A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou que o aumento das exportações equivale ao aumento da produção, de 400 mil toneladas, alcançado com a reforma do alto-forno da empresa no ano passado. A empresa informou que as vendas externas continuarão a ser prioridade da empresa, já que servem como proteção natural, mas destacou que elas acontecem em período de baixa demanda no mercado nacional. A empresa disse que as entregas estão sendo feitas normalmente para os clientes brasileiros. SulNo Rio Grande do Sul, várias empresas do pólo metalmecânico de Caxias do Sul podem parar até o fim do ano por causa da falta de aço, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), João Cláudio Pante, que abrange 18 municípios e representa 2,4 mil empresas dos segmentos automotivo, eletroeletrônico e metalmecânico.Preocupado com a situação, o Simecs, em conjunto com a Câmara da Indústria e Comércio de Caxias do Sul e Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul, encaminhou documento à Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e à Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fierg) relatando o problema. A expectativa é de que as entidades busquem uma solução com o governo federal.Aumento abusivoPante afirma que a desvalorização do real estimulou o redirecionamento de parte da produção das usinas siderúrgicas para o mercado internacional, o que estaria ocasionando a falta de matéria-prima no mercado doméstico e também o aumento "abusivo" de diversos produtos pelos distribuidores de aço. "As siderúrgicas reduziram os volumes de entrega para o mercado nacional e os distribuidores, aproveitando o momento, têm praticado preços entre 25% e 30% mais caros", afirma. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul, Herlon de Almeida, a indústria metalmecânica e de material de transportes responde por 30% do PIB da cidade, o equivalente a R$ 1,463 bilhão. Existem 1,2 mil empresas metalúrgicas, mecânicas e de material de transporte na cidade, que empregam 24,8 mil pessoas. O setor responde por 38% das empresas do setor de transformação e por 48,9% dos empregos industriais na cidade. DemissãoA fabricante de carrocerias, reboques e basculantes Guerra S.A. Implementos Rodoviários já pensa em demitir 10% do quadro, sobre o total de 880 funcionários, e adiantar o período de férias coletivas, que normalmente vai de 20 de dezembro a 10 de janeiro em decorrência da falta da matéria-prima em suas linhas de produção.De acordo com o gerente de compras da empresa, Juarez Artico, 70% do aço consumido pela empresa é fornecido pela CSN e o restante pela Cosipa. "Realizamos nosso pedido geralmente com 60 dias de antecedência. Estamos em novembro e não recebemos ainda 400 toneladas do pedido de outubro", afirma. O executivo diz que as siderúrgicas têm atendido apenas 20% dos pedidos, em torno de 1,6 mil toneladas por mês.A fabricante de carrocerias Randon acabou sendo atingida indiretamente pelo problema. De acordo com o diretor administrativo, financeiro e de suprimentos do grupo Randon, Sérgio Martins Barbosa, a empresa chegou a atrasar 30% das entregas na primeira quinzena de novembro, como reflexo da situação de seus fornecedores. "Não chegamos a paralisar a nossa linha de produção porque trabalhamos com estoques equivalentes a 30 dias, mas já fomos obrigados a baixar esses estoques mais do que estamos acostumados", afirma o executivo. O aço utilizado pela Randon, cerca de 7 mil toneladas por mês, é comprado diretamente da Usiminas.Insumo difícilA fabricante de autopeças Fras-Le, controlada pelo grupo Randon, também tem sofrido com o desabastecimento de aço no mercado nacional. De acordo com o responsável pela compra de aço-ferramenta, Evair Augusto Caern, utilizada na produção de ferramentaria da empresa, está cada vez mais difícil encontrar o insumo no mercado nacional.A empresa, que o compra diretamente da Villares e outros dois distribuidores, está procurando novos fornecedores, para garantir a produção. Além da dificuldade de encontrar o produto, o executivo afirma que os preços subiram mais de 20% só nos últimos dois meses. "As usinas preferem exportar a atender o mercado interno", disse.

Agencia Estado,

27 de novembro de 2002 | 17h03

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