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Usiminas interrompe atividades em Cubatão e deve demitir 4 mil

Empresa vai paralisar a produção de placas de aço, mas manterá as atividades das linhas de laminação a quente e a frio

Fernanda Guimarães, Marcelle Gutierrez, Mário Braga e Suzana Inhesta, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2015 | 15h27

Atualizado às 18h13

SÃO PAULO - A Usiminas decidiu interromper temporariamente as atividades das áreas primárias da Usina de Cubatão, em São Paulo. Segundo comunicado da companhia enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o processo de desativação será gradual e deverá ser concluído num prazo de três a quatro meses.

"O referido ajuste objetiva reposicionar a Usiminas em um novo patamar de escala e competitividade perante um contexto econômico de deterioração progressiva do mercado siderúrgico", justificou a Usiminas, no documento.

A Usiminas, em nota enviada ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, informou que as demissões chegarão a 4 mil empregos devido ao processo de desativação das áreas primárias da usina de Cubatão (SP). De postos diretos serão 2 mil desligamentos e indiretos, embora ainda esteja sendo mensurado, também são estimadas 2 mil demissões.

"Este ajuste no quadro funcional deverá ocorrer com mais intensidade no inicio de 2016, acompanhando o cronograma de desligamento dos equipamentos da usina, que deverá ser concluído em três ou quatro meses", esclareceu a empresa, no comunicado.

No início da tarde de hoje, o presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio Rezende de Sá, disse que as demissões poderiam chegar a mais de 8 mil empregados diretos e indiretos e informou que a Usiminas comunicou a decisão de interromper as atividades da unidade apenas hoje, mas sem detalhar prazos e quantidade total. Ainda nos cálculos dele, a siderúrgica gera 10 mil empregos diretos e indiretos na região.

O sindicato vai aguardar que a empresa apresente um plano detalhado sobre as demissões, mas não descarta manifestações, greves e disputas judiciais.

A Usiminas tem consciência do impacto social desta medida sobre a empregabilidade na região. "A desativação foi necessária para a própria sustentabilidade da Usiminas como empresa e, como tal, movimentadora de uma cadeia produtiva estratégica para a economia", destacou a Usiminas.

A Usina de Cubatão já havia tido um de seus dois altos-fornos desligados em maio deste ano, bem como seu laminador de chapas grossas em setembro. "No entanto, os estudos da Usiminas apontaram que a alternativa mais viável, no atual cenário, era a paralisação das áreas primárias da unidade", segundo nota da companhia. Hoje, cerca de 40% do aço bruto produzido pela Usiminas vem dessa unidade.

Com a desativação das áreas primárias, a usina de Cubatão deixará de produzir placas, mas serão mantidas as atividades das linhas de laminação a quente e a frio, bem como as operações relacionadas a seu terminal portuário. A linha de laminação de chapas grossas continuará temporariamente suspensa. A empresa destaca que ainda está avaliando como suprirá essas linhas com placas. Segundo apurou o Broadcast, o material deve vir de Ipatinga (MG) ou compradas da Companhia Siderúrgica do Atlântica (CSA).

Balanço. Nesta quinta-feira, a Usiminas divulgou balanço no qual foi apontado prejuízo líquido de R$ 1,042 bilhão no terceiro trimestre do ano. No mesmo período de 2014, as perdas haviam chegado a R$ 24 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi negativo em R$ 65 milhões no período, ante um Ebitda positivo de R$ 357 milhões. Com isso, a companhia apresentou uma margem Ebitda ajustada negativa de 2,7%, sendo que era positivo em 12,3% no mesmo trimestre do ano passado e de 8,5% no trimestre imediatamente anterior.

PARA LEMBRAR

Cosipa foi privatizada em agosto de 1993

Por Carlos Eduardo Entini (do Acervo Estadão)

A privatização da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em 20 de agosto de 1993, fazia parte do Plano Nacional de Desestatização, criado em 1990, durante o governo Fernando Collor. Com ela, outras siderúrgicas foram privatizadas, como CSN, Acesita e Açominas. As privatizações das siderúrgicas continuaram até o governo sair do setor, em 1994.

O processo de privatização da siderúrgica paulista foi conturbado. No dia do leilão, estudantes enfrentaram policiais na porta da Bovespa. O conflito terminou com 20 feridos. Muitos deles ensanguentados, jogaram sangue nos policiais. Mas a confusão não terminou aí. Arrematada pela Brastubo, do empresário Aldo Narcisi, por quase o dobro do preço inicial, descobriu-se depois que ela fez a operação para o Banco Bozano, Simonsen.

Na sequência, duas semanas depois, o controle da Cosipa passou para a Usiminas, também recém-privatizada. A transferência para o novo grupo levantou a questão de um possível monopólio no setor de aço. Na época, o grupo passou a controlar 62% da produção nacional de aços planos e 90% da produção de placas de aço.

Outro fator que chamou a atenção no caso foi a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o principal acionista da Cosipa desde a década de 60. Antes da privatização, o banco estatal emprestou ao Banco Bozano, Simonsen US$ 278 milhões que acabaram sendo usados no leilão da Cosipa.

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