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Usiminas renova acordo de acionistas até 2031 e ''bloqueia'' avanço da CSN

Controle. Nippon Steel, Camargo Corrêa e Votorantim, donas de mais de 53% do grupo siderúrgico, se manterão no bloco de controle, enquanto a Caixa dos Empregados, dona de 10,1%, fica de fora do novo acordo, que passa a valer a partir de 2016

Chiara Quintão, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

A Usiminas anunciou que seus sócios Nippon Steel, Votorantim e Camargo Corrêa renovaram, até 2031, o acordo de acionistas atual - que continuará em vigor até seu vencimento, em 2016. No novo acordo, fica de fora do bloco de controle a Caixa dos Empregados, fundo de pensão da empresa. A renovação foi entendida como uma forma de bloquear o avanço da CSN, que recentemente aumentou sua participação na siderúrgica rival.

Em comunicado, os controladores disseram que o objetivo do novo acordo é "demonstrar aos demais colaboradores da empresa e ao mercado a estabilidade do grupo de controle e, consequentemente, assegurar o contínuo crescimento e desenvolvimento da companhia".

Segundo informações no site da Usiminas, a japonesa Nippon Steel tem 27,8% do capital total do grupo, Camargo Corrêa e Votorantim têm, juntas, 26%, e a Caixa dos Empregados tem 10,1%. Não foi explicado porque a Caixa deixará o bloco de controle após 2016.

No entendimento do mercado, o anúncio do novo acordo é uma forma da empresa de mostrar que Camargo Corrêa e Votorantim não estariam dispostas a vender as respectivas participações na Usiminas, e que nem estes dois grupos nem a Nippon Steel teriam interesse na mudança da estrutura desse bloco no curto prazo.

Papéis. A avaliação de que, diante dessa sinalização, não há espaço para a CSN entrar no controle da Usiminas provocou forte queda nas ações ordinárias (com direito a voto) da companhia mineira, que vinham sendo negociadas com prêmios elevados em relação às preferenciais (sem direito a voto) desde que a possibilidade da entrada da siderúrgica de Volta Redonda no controle da concorrente passou a ser considerada. Ontem, as ações ordinárias fecharam em queda de 1,72%, cotadas a R$ 26,35, enquanto as preferenciais subiram 3,79%, sendo vendidas a R$ 21,07.

"O fato relevante aponta que, pelo menos por um tempo, Camargo Corrêa e Votorantim não vão vender participação na Usiminas. Foi uma mensagem clara à CSN. O mercado está precificando que não vai haver mudança no controle", diz um analista que pediu para não ser identificado.

Eduardo Roche, analista da Modal Asset, ressalta que o mercado tende a retirar "um pouco das expectativas em relação às ações ordinárias". Com as informações divulgadas pela Usiminas, a percepção passou a ser de que Camargo, Votorantim e Nippon procuraram demonstrar que pretendem "garantir o controle coeso", segundo outro analista que pediu para que seu nome não fosse divulgado. "O novo acordo de acionistas mostra consenso entre Camargo, Votorantim e Nippon", acrescenta Rafael Weber, analista da Geração Futuro.

No fim de janeiro, a CSN divulgou ter elevado sua participação no capital social da Usiminas por meio de aquisições de ações ordinárias, passando a deter, direta e indiretamente, 5,03% desses papéis. Na ocasião, uma fonte disse à Agência Estado que a CSN decidiu aumentar sua participação na Usiminas para realizar investimento financeiro, num momento em que tem caixa em excesso, mas que teria a intenção também de, futuramente, se houver mudanças no bloco de controle da siderúrgica mineira, já estar mais próxima da empresa.

O aumento de participação da CSN levou o mercado a cogitar a possibilidade de a empresa entrar no controle da Usiminas. Porém, desde o início das especulações, o acordo de acionistas foi visto como a maior dificuldade para a empresa liderada por Benjamin Steinbruch conseguir entrar no bloco de controle. Isso porque, pelo acordo, qualquer membro do bloco que decida se desfazer de seus papéis precisa oferecê-los primeiro aos demais participantes desse grupo.

Conforme divulgado pela Usiminas, as condições do acordo de acionistas atualmente em vigor serão mantidas no novo acordo, que não "acarreta alienação de controle da companhia, e tampouco representará significativa mudança da atual estrutura de controle da Usiminas".

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