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Usiminas vai às compras no exterior

Com empresas nos EUA e Europa, siderúrgica quer entrar em nova fase e processar placas de aço em outros países

Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

10 de outubro de 2007 | 00h00

O grupo Usiminas/Cosipa, que prevê investir até US$ 9 bilhões em aumento de capacidade no Brasil até 2015, estuda agora a compra de ativos nos Estados Unidos ou União Européia, segundo o presidente do grupo, Rinaldo Campos Soares. ''''Vamos entrar numa segunda onda, de aços leves, que não tenham produto final feito no Brasil. A idéia é exportar placas e agregar valor por meio de alianças no exterior'''', disse Soares, lembrando que a empresa segue, com isso, a tendência siderúrgica mundial de ''''desconstrução''''.Essa nova estratégia consiste em manter próximas ao mercado consumidor unidades de fabricação de produtos acabados, usados pela indústria, e, próximas ao mercado fornecedor de matéria-prima, como o Brasil, plantas de semi-acabados para exportação para suas próprias unidades de beneficiamento no exterior. É o que estão fazendo a alemã ThyssenKrupp, no Rio, e a chinesa Baosteel, com o projeto do Espírito Santo, ambas em parceria com a Vale do Rio Doce.A mineradora - que negocia também a vinda para o Brasil da japonesa JFE e da indiana Tata Steel, com a mesma modelagem - ingressou, em novembro do ano passado, no grupo de controle da Usiminas, depois de três anos de negociações. Para isso, aceitou reduzir sua participação no capital da empresa de 22,9% para 5,9%. Hoje, divide o bloco de controle com o grupo japonês Nippon Steel (24,7%), a Caixa dos Empregados (10,1%) e duas outras empresas que adotaram perfil igualmente agressivo na siderurgia: Camargo Corrêa e Votorantim, que têm, juntas, 23,1% das ações.Apesar do crescimento do mercado asiático, não estão sendo avaliados investimentos naquela região, segundo Soares. ''''O que estamos analisando é a construção de laminadores na região do Nafta (Estados Unidos, México e Canadá) e da União Européia'''', disse, frisando que o grupo não pretende perder a liderança na produção de aços planos no Brasil.Hoje, a Usiminas tem o foco de sua produção voltado para o fornecimento doméstico às montadoras e indústria de autopeças, além dos fabricantes de eletrodomésticos. São segmentos com demanda por aço laminado, com maior valor. O aumento de produção desses setores é o responsável pela operação da siderúrgica a plena capacidade. ''''Temos duas aspirações: manter a liderança no mercado de produtos de maior valor agregado e elevar a produção de placas para exportação'''', declarou o executivo.Na estratégia de internacionalização, a Usiminas disputou, assim como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a compra da Sparrows Point, usina integrada sediada em Baltimore, nos Estados Unidos. Quem ganhou a disputa, porém, foi um consórcio formado por Vale do Rio Doce, a distribuidora de aço Esmark e as siderúrgicas Wheeling-Pittsburgh (EUA) e Donbass (Ucrânia).Segundo o superintendente da área de insumos básicos do BNDES, Roberto Zurli, essa nova onda de investimentos vivida pela siderurgia obedece a uma questão logística. ''''O frete marítimo, de US$ 80 a tonelada para transporte de minério de ferro, é muito caro e favorece essa nova onda de empreendimentos siderúrgicos para fabricação de placas perto das fontes de matéria-prima.'''' Ele cita projetos recém-anunciados no Brasil que colocam o País na rota desses investimentos, como a planta da CSN em Itaguaí (RJ), de 3 milhões de toneladas de placas, a usina da Votorantim em Resende (RJ), os investimentos da Usiminas nas usinas de Ipatinga (MG) e Cubatão (SP), além dos projetos anunciados pela Vale do Rio Doce.Zurli ressalta que o País é um destino natural para a nova fase da siderurgia. ''''O Brasil entra no cenário mundial de produção de placas por ter o minério de melhor qualidade do mundo e contar com sistemas de infra-estrutura que permitem hoje o escoamento da produção'''', diz.PERSPECTIVAO vice-presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia, Marco Polo de Mello Lopes, lembra que a perspectiva para o consumo mundial de aço permanece muito positiva, com previsão de crescimento de 7,1% este ano e de 6,9% em 2008. O motor dessa demanda continua sendo a China, com estimativa de consumo de 480 milhões de toneladas este ano, o que representa aumento de 12%, porcentual que deve se repetir em 2008.''''Se os projetos em estudo se concretizarem, o Brasil passará a ter uma capacidade de produção de 78 milhões de toneladas de aço em 2012. Isso representa investimentos de US$ 56,5 bilhões, um recorde.''''

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