Usiminas vai investir 18% menos em 2015

Executivos da empresa anunciaram investimento de R$ 900 milhões para este ano e reforçaram que foco da siderúrgica está na redução de custo

FERNANDA GUIMARÃES , O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2015 | 02h04

Em meio a uma briga societária que já se estende desde o ano passado e à queda histórica no preço do minério de ferro, a Usiminas divulgou, em relatório, que planeja investir R$ 900 milhões em 2015 - cifra que é 18% inferior ao que foi investido no ano passado. A maior parte virá de recursos próprios e R$ 270 milhões serão obtidos com empréstimos e financiamentos.

No último dia 18, depois de ter adiado a divulgação do balanço na semana anterior, a Usiminas anunciou um prejuízo líquido de R$ 117 milhões no quarto trimestre, revertendo lucro registrado um ano antes. Em 2014, o lucro foi de R$ 208 milhões - doze vezes mais que os R$ 17 milhões de 2013.

Ontem, em teleconferência com analistas, o diretor presidente da siderúrgica, Rômel Erwin de Souza, disse que o controle de custos continua sendo uma estratégia da companhia, diante do cenário mais difícil da economia. "Em um cenário de mercado deprimido, o controle de custos, a diferenciação pela qualidade e a excelência no atendimento continuam sendo estratégias fundamentais da gestão", destacou.

O diretor vice-presidente de finanças da Usiminas, Ronald Seckelmann, complementou dizendo que o segundo semestre do ano passado foi decepcionante em relação à atividade econômica. Ele afirmou que já se sabia, no início de 2014, que o ano seria atípico, mas se esperava uma retomada no início da segunda metade do ano, o que não ocorreu.

Segundo o diretor de mineração da Usiminas, Wilfred Bruijn, em 2014, a companhia estava preparada para exportar mais minério de ferro, mas houve uma "frustração" com o porto Sudeste, que acabou não sendo entregue dentro do prazo. "Nós estamos ajustando nosso plano de produção, até termos mais certezas (sobre a entrega do porto)", destacou. A expectativa é de que ele comece a operar no segundo semestre.

Continuidade. Durante a teleconferência, Souza tentou tranquilizar os investidores sobre a briga societária na Usiminas e disse que o trabalho da atual administração é de continuidade. "Não há mudança, estamos alinhados na busca de melhores resultados", afirmou.

Em setembro, ele substituiu Julián Eguren, que ocupava o cargo desde 2012, após a Ternium ingressar no capital da siderúrgica. Eguren e outros dois diretores foram destituídos pelo conselho da Usiminas, em reunião sem consenso e que provocou um racha entre seus dois acionistas controladores, Ternium e Nippon Steel. A Nippon alega que os executivos receberam bônus de forma irregular, o que justifica as destituições.

A Ternium nega e briga na Justiça de Minas Gerais sob a alegação de que houve quebra do acordo de acionistas, que prevê que para uma destituição é preciso haver consenso entre os acionistas do bloco de controle. O julgamento do caso ocorrerá na próxima terça-feira.

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