Usina em Furnas opera com 12% da capacidade

Marimbondo, uma das 4 usinas que fornecem 25% da eletricidade ao Sudeste e Centro-Oeste, está em situação crítica

Rene Moreira, Especial para O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2014 | 02h07

FRANCA - A situação nas usinas que operam no Lago de Furnas não é das melhores. A mais crítica é a Usina de Marimbondo, que está funcionando com apenas 12,33% de sua capacidade, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS). Ela é a que está em pior situação no Lago de Furnas, mas as outras também estão com baixo nível de água.

No Rio Grande são quatro usinas e apenas uma (Mascarenhas de Morais, com 76,58%) opera com mais da metade do nível. Nas demais, os números são baixos e com a chuva insuficiente a situação pode piorar.

A Usina de Furnas, a principal delas, operava no início da tarde de ontem com apenas 41,41%, porcentual que tem caído de forma acentuada nas últimas semanas. E no reservatório de Água Vermelha este índice era de 37,11%. O baixo nível da água dá para ser observado às margens do Rio Grande.

As quatro usinas respondem por 25,8% da energia elétrica fornecida às Regiões Sudeste e Centro-Oeste. Por isso mesmo, o Lago de Furnas ficou conhecido como a "Caixa d'Água do Brasil", mas em época de apagão aumenta a preocupação com o baixo nível, até porque o histórico não ajuda.

Números. O lago teve baixa recorde de mais de 11 metros no início do ano passado e até hoje não recuperou seu nível, que está mais de sete metros abaixo do máximo. Por outro lado, boletim do ONS aponta um consumo de energia cada vez maior.

Para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que é abastecido por Furnas, segundo o órgão, os valores de carga de energia aumentaram 11,6% em janeiro se comparados ao mês anterior. De acordo com o Operador Nacional do Sistema, essa elevação está relacionada às altas temperaturas, que ampliam o desconforto térmico e levam ao uso intenso dos aparelhos de refrigeração e ventilação.

Prejuízo. Sem contar a preocupação com o sistema energético do país, a baixa em Furnas prejudica os moradores de mais de 50 cidades que dependem de suas águas. Segundo o presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), Arnaldo Lemos Figueiredo, pescadores, donos de hotéis, pousadas, restaurantes e outros negócios já enfrentaram muitos prejuízos com a seca dos dois últimos anos e até hoje não houve recuperação.

A Alago tem pressionado o governo federal para que as usinas reduzam o uso da água. Para março, um encontro está previsto para ocorrer no Ministério de Minas e Energia, em Brasília. Prefeitos cobrarão menor uso da água justamente no momento em que as usinas necessitam cada vez mais dela.

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