Arquivo/Agência Brasil
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Usina nuclear de Angra 3 pode ser fechada sem privatização da Eletrobras, diz BNDES

Obras começaram em 1984 e estão paralisadas desde 2015; custo para a conclusão é calculado em mais R$ 15 bilhões

Marlla Sabino , O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2022 | 18h18

BRASÍLIA - O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou nesta quinta-feira, 7, que sem a privatização da Eletrobras, existe a possibilidade de que a usina nuclear de Angra 3 não seja concluída e, consequentemente, fechada. As obras do empreendimento foram paralisadas desde 2015 por conta de denúncias de corrupção e superfaturamento.

O projeto localizado em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, é cotado para ser a terceira usina nuclear do País, com capacidade de gerar mais de 12 milhões de megawatts-hora por ano, energia suficiente para abastecer as cidades de Brasília e Belo Horizonte durante o mesmo período. Segundo a Eletrobras, até o momento foram executadas cerca de 67% das obras civis da usina.

“A empresa e a sociedade brasileira talvez tenham que arcar com os custos como consequência disso”, afirmou durante evento promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para discutir a modelagem do processo de desestatização da estatal. A retomada das obras de Angra 3 devem consumir mais de R$ 15 bilhões para que a usina seja concluída.

Além disso, Montezano disse que eventual fracasso da operação também prejudica o pagamento da outorga  e os repasses para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para abater nas tarifas de energia. 

A não conclusão da operação na Eletrobras, segundo ele, pode atrapalhar também a renovação da concessão da usina hidrelétrica de Tucuruí. “Vamos ter uma Eletrobras com capacidade de investimento mais restrita do que se ela for capitalizada, um eventual cenário em que Angra 3 pode não ser concluída, o que requer custos para seu fechamento, e a possibilidade de Tucuruí sair da plataforma de geração da Eletrobras”, disse.

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